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Shoyu produzido no Brasil é feito com milho, aponta pesquisa

Publicado em 26 abril 2018

A cidade de São Paulo tem mais ofertas de sushi do que de churrasco, demonstrando o quanto o paulistano e o brasileiro de maneira geral é apaixonado pela culinária japonesa. De acordo com o Associação Brasileira de Franching, só em 2009 o setor cresceu 9% em comparação com o ano anterior.

No universo dos temakis, salmões e tempuras, o shoyu é um ingrediente fundamental. Em países como China e Japão, o condimento é feito com soja e doses pequenas de outros cereais como o trigo e a cevada. Agora, se dissermos que no Brasil o shoyu é feito à base de milho?

Um grupo de pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ambos ligados à Universidade de São Paulo revelou que, ao contrário dos outros países, o condimento fabricado no Brasil não pode ser nem chamado de shoyu.

Algo de podre acontece no reino shoyu

“O que a indústria brasileira oferece ao consumidor não é shoyu propriamente dito, é um molho escuro e salgado elaborado a partir de milho, que deveria ter outro nome”, assinalou em entrevista para a Revista da Fapesp a bióloga Maristela Morais, uma das coordenadoras do grupo.

A triste constatação foi feita a partir da análise de 70 amostrados de marcas diferentes do produto, que registraram em média 20% a menos de soja do que os concorrentes do exterior.

Uma das pistas para a opção pelo milho são os altos custos dos grãos de soja no mercado. Apenas entre os anos de 2007 e 2017 a soja custou o dobro do preço do milho no Brasil.

“O uso de milho na produção de shoyu não é ilegal, já que a legislação brasileira não especifica qual deve ser a proporção de cereais usados na sua fabricação”, finaliza Maristela.