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Extra (Rio de Janeiro, RJ) online

Shinzo Abe conta com Brasil e América Latina para retomada do crescimento japonês

Publicado em 02 agosto 2014

Por Germano Oliveira

SÃO PAULO. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse neste sábado, em São Paulo, durante a abertura do Fórum Econômico Brasil-Japão, que conta com o Brasil e países da América Latina para a retomada do crescimento da economia japonesa e que resumiria seus objetivos na região com três frases ditas por ele em português: progredir juntos, liderar juntos e inspirar juntos. Sem repetir as críticas feitas na sexta-feira em Brasília, quando reclamou dos entraves no Brasil para as empresas japonesas aqui instaladas, Abe disse que o Japão pretende aprofundar "sem limites" as relações comerciais do Japão com o Brasil e países latino-americanos. Para ele, o Japão está reavaliando a importância da América Latina e disse esperar propostas do setor privado para negociação de um eventual acordo de livre comércio com o Mercosul.

— O Japão quer unir mãos e corações nesse esforço de construir um mundo melhor para nossos filhos e sofrer talvez também juntos. Quando digo progredir juntos é no sentido de estruturar os laços que unem Brasil e Japão há centenas de anos. Estamos adotando medidas de política fiscal de modo que se dê dinâmica para alavancar o nosso crescimento e espero que os senhores (empresários brasileiros e japoneses) confiem nesse novo Japão. Queremos progredir juntos e prosperar juntos — disse Shinzo Abe, citando vários projetos conjuntos entre os dois países que podem ser incrementados, como os satélites para monitorar a floresta amazônica.

Abe disse que quando se referiu ao "liderar juntos", ele queria lembrar que o Brasil e países latino americanos foram os primeiros a abrir as portas ao Japão quando o país batalhava para se modernizar no pós-guerra.

- Os japoneses e os países latino-americanos têm grande zelo pelos direitos humanos, democracia e estado de direito, valores que nos nos sustentam, assim como outras lutas em comum como o livre comércio e os tratados de não proliferação de armas nucleares. Eles são bons exemplos de liderar juntos para alavancar positivamente soluções para os problemas que assolam o planeta - disse Shinzo Abe.

Depois de informar que o Japão investe anualmente US$ 30 bilhões na América Latina, Abe lembrou das parcerias que os japoneses já fizeram, no passado, com os brasileiros, levou a projetos bem sucedidos, como o plantio de soja nos cerrados brasileiros por empresários japoneses, "o que levou o Brasil a ser hoje o maior produtor mundial de soja".

Quando ao "inspirar juntos", Abe disse que pretende estimular e expandir o intercâmbio entre jovens brasileiros e japoneses, adiantando que atualmente mil jovens latino americanos descendentes de japoneses já fazem uso desse intercâmbio para desenvolvimento no Japão. Ele encerrou neste sábado uma visita de uma semana a cinco países da América Latina (México, Chile, Colômbia e Trinidad Tobago, além do Brasil).

O único que tocou nos problemas de infraestrutura no Brasil a prejudicar as empresas japonesas foi Sadayuki Sakakibara, presidente do Keidanren (a federação dos empresários do Japão), mas passou bem ao largo, sem detalhar quais eram os problemas. O vice-presidente da Conferação Nacional das Indústrias (CNI), José de Freitas Mascarenhas, disse que os acordos da entidade com o Keidanren procuram por fim aos obstáculos que eventualmente existem, sempre com o objetivo de gerar "rendas e emprego nos dois países".

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), lembrou que São Paulo foi o primeiro estado a dinamizar o intercâmbio com os japoneses, ao atrair em junho de 1908 as primeiras 165 famílias de imigrantes japoneses, que chegaram a Santos no navio Kassatu Maru.

-São Paulo tem hoje a maior comunidade nipônica do mundo - disse Alckmin, após assinar convênios entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Japan Science and Technology Agency (JST), para permitir maior colaboração científica entre os dois órgãos.

O Globo