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Seu pai pega no seu pé? Talvez seja sorte sua

Publicado em 05 dezembro 2017

Por Jairo Bouer

Adolescentes sempre reclamam que os pais pegam muito no pé. Mas tudo indica que pais presentes, que impõem regras e estão sempre de olho no que os filhos estão fazendo tendem a enfrentar menos problemas com eles em relação a abuso de álcool e outras drogas.

A conclusão não é minha! É de um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que contou com dados de 6.381 alunos de escolas públicas de 11 a 15 anos de seis cidades diferentes. Os participantes responderam a questionários de forma anônima, e sem a presença da professora na classe.

Apesar da pouca idade, 16,6% dos estudantes declararam beber com frequência ou de forma pesada (no mínimno quatro, para as garotas, ou cinco doses de bebida, para os garotos, em uma única ocasião). O uso de álcool junto com outras substâncias, como cigarro, maconha, cocaína, crack ou inalantes, foi citado por 1,8% dos alunos.

A partir das respostas dos garotos, os pesquisadores puderam avaliar o comportamento dos pais. Eles foram classificados como “autoritários” (aqueles que exigem muito, mas são pouco sensíveis às necessidades dos filhos e pouco abertos ao diálogos), “autoritativos” (aqueles que exigem, mas são participativos e afetuosos), “permissivos” (afetuosos e sensíveis, mas que evitam cobrar ou controlar os filhos) e “negligentes” (que não cobram e nem são sensíveis às necessidades dos filhos).

Os resultados indicaram que o estilo autoritativo foi o que trouxe maior fator de proteção para os jovens. No outro extremo ficaram os negligentes, o que não é nenhuma surpresa. O segundo lugar ficou com os autoritários e o terceiro com os permissivos. Alguns estudos já indicaram que o estilo autoritário dos pais até seria um fator de risco para o uso de drogas entre os filhos, o que não foi o caso deste. De qualquer forma, estar presente e impor limites foram as qualidades que fizeram diferença para evitar o uso abusivo de substâncias entre os adolescentes, segundo os pesquisadores.

Um dado que chama a atenção é que os estudantes com maior propensão ao uso abusivo de álcool e de outras drogas foram justamente os das classes mais favorecidas. O resultado contrasta com o de estudos europeus e norte-americanos, em que a pobreza aparece como fator de risco importante para o uso de drogas.

O trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e publicado na revista Drug and Alcohol Dependence. O recado dos autores é que os programas de prevenção deveriam não só envolver os alunos, mas também os pais.