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Amigos do Campo

Setor sucroenergético pode ter papel chave nas relações Brasil-Finlândia

Publicado em 27 fevereiro 2012

A sustentabilidade e a competitividade dos produtos derivados da cana-de-açúcar representam uma oportunidade comercial para Brasil e Finlândia reforçarem o intercâmbio entre os dois países, principalmente na área de energias renováveis. Este foi o principal foco da apresentação que o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, levou aos participantes do "Encontro Brasil-Finlândia: Oportunidades de Cooperação na Bioeconomia," evento realizado na quinta-feira (16-02) no Hilton Hotel de São Paulo (SP) na presença do primeiro-ministro da Finlândia, Jyrki Katainen.

"Além de áreas como educação e turismo, Brasil e Finlândia possuem uma grande aptidão em relação as energias limpas e renováveis. Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo, enquanto os finlandeses são líderes em tecnologia para este setor," ressaltou Jank após sua apresentação. O encontro, que foi promovido pela embaixada da Finlândia em Brasilia e pelo consulado finlandês em São Paulo, com apoio da UNICA e da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

 

Ao lado de Suécia e Noruega, a Finlândia é um dos países europeus que mais vem evoluindo na adoção do etanol em sua frota automotiva. De acordo com as regras para países-membros da União Européia (EU), a Finlândia deve implementar iniciativas para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE) no setor de transportes, e ao mesmo tempo diminuir a dependência por combustíveis fósseis, conforme estabelecido na chamada Diretiva Européia sobre Energias Renováveis (RED).

 

Para Jank, explorar este potencial representa uma oportunidade de aumentar consideravelmente o fluxo de investimentos entre os dois países, que em 2011 atingiu a cifra recorde de US$ 1,47 bilhão, com as exportações brasileiras alcançando US$ 742 milhões, um crescimento de 55,7% em relação a 2010.

 

O evento

 

O presidente da UNICA palestrou durante o painel "Discussão e debate com o público: Cenários para cooperação brasileira-finlandesa em inovação e negócios". Ao lado de autoridades políticas e líderes da indústria dos dois países, o executivo destacou a inovação tecnológica e o desenvolvimento da indústria canavieira nacional, responsável por 25% do açúcar e 20% do etanol produzidos mundialmente.

 

Segundo Jank, nos últimos anos o desenvolvimento de novas tecnologias tem acelerado o uso da cana para outros fins, como a fabricação de bioplásticos e querosene renovável para a aviação. Entretanto, para que o Brasil atenda a crescente demanda doméstica e mundial por etanol e açúcar nos próximos anos, o País precisará aumentar a moagem de cana dos atuais 555 milhões de toneladas para 1,2 bilhão de toneladas até 2020, alertou o presidente da UNICA. Com isso, a produção anual chegaria a 51 milhões de toneladas de açúcar, 69 bilhões de litros de etanol e 13 mil Megawatts médios (MW/m) de energia elétrica gerada a partir da queima do bagaço de cana.

 

A delegação finlandesa liderada pelo primeiro-ministro, Jyrki Katainen, foi composta pelo ministro de Comércio Exterior, Alexander Stubb, e pelo presidente da Confederação das Indústrias da Finlândia, Ole Johansson. A iniciativa privada finlandesa foi representada por Matti Lievonen, CEO da Neste Oil, maior empresa mundial produtora de diesel renovável e principal compradora de etanol brasileiro para a Finlândia. Do lado brasileiro, além da UNICA, Bracelpa e da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), participaram dois representantes do governo do Estado de São Paulo: o secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia Alexandre Barbosa, e o secretário de Energia José Anibal.

 

Brasília

 

Anteriormente, a ampliação da cooperação entre Brasil e Finlândia nas áreas de educação, ciência, energia, meio ambiente e turismo motivou um encontro entre a presidente da República, Dilma Rousseff e o primeiro-ministro finlandês, Jyrki Katainen, realizado no dia 14/02, em Brasília. Na oportunidade, além de assinarem acordos bilaterais, os chefes de estado discutiram perspectivas para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada em junho próximo.

 

Além de Brasília e São Paulo, a visita de Katainen ao Brasil incluiu uma parada no Rio de Janeiro (RJ). A delegação de mais de 100 integrantes, em sua maioria empresários, deixou o país na quinta-feira (17/02), após o evento em SP. Segundo o primeiro ministro Katainen, "foi uma das maiores comitivas organizada pela Finlândia em viagens internacionais, o que evidencia uma enorme oportunidade comercial para as duas nações."

 

Fonte: Unica