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Setor de perfumes finos aposta em pesquisa do IAC sobre manjericão

Publicado em 27 fevereiro 2005

A essência de manjericão surge como um novo produto para a indústria brasileira e mundial de perfumes finos, a partir de uma pesquisa feita no Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Além de ter características consideradas excelentes para fabricação de perfume, o manjericão aparece também como produto ecologicamente correto e rentável.
A pesquisa teve início em 1998 e foi eleita pelos especialistas como uma opção viável para substituir o óleo do pau-rosa, árvore amazônica explorada de maneira predatória muito utilizada na fabricação de perfumes finos como o Chanel nº 5, usado por Marylin Monroe. O manjericão pode ser colhido a cada cinco meses e a árvore do pau-rosa é extraída na floresta amazônica quando atinge idade superior a 100 anos.
O estudo sobre o manjericão, desenvolvido pelo engenheiro agrônomo Nilson Maia, do Centro de Horticultura do IAC, já começou a ser utilizado pela Linax Extração de Óleos Essenciais, em Votuporanga (SP), que aplicou recursos do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE), criado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp).
Maia disse que o 26 º Congresso da Sociedade de Horticultura Científica do Canadá, em Toronto, ocorrido em agosto de 2002, destacou o estudo do manjericão como um dos quatro principais do planeta, entre os 500 trabalhos científicos apresentados na ocasião. "Isto divulgou a pesquisa feita em Campinas e muitas empresas do mundo iniciaram um namoro com o trabalho" , afirmou.
Segundo Maia, a grande vantagem de substituir o pau-rosa pelo manjericão é possibilitar o desenvolvimento de novas técnicas que possam melhorar a vida do agricultor. "O pau-rosa leva no mínimo 25 anos para poder ser abatido e extraído o óleo. O manjericão pode ser colhido entre três e cinco meses do plantio" , comparou.
A direção da Linax Extração de Óleos Essenciais decidiu colocar em prática o projeto no ano passado, quando o PIPE foi criado. O investimento total da empresa não foi divulgado, mas o PIPE disponibilizou R$ 300 mil para a implantação da cultura de manjericão e para a criação de uma destilaria.
Maia disse que a destilaria está pronta e que os primeiros hectares de manjericão vão ser colhidos em maio. Ao todo, vão ser utilizados 400 hectares. A produção vai atingir o ponto de equilíbrio nas colheitas em três anos, podendo produzir em maior escala os perfumes.

Óleo
O manjericão é muito utilizado como tempero típico da culinária mediterrânea, mas é capaz de produzir um óleo essencial com alto teor de linalol, um álcool com odor agradável e que garante a fixação do perfume. O engenheiro agrônomo Nilson Maia, do Centro de Horticultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que desenvolveu a pesquisa, explicou que existem mais de 100 variedades de manjericão e que o óleo essencial extraído do manjericão contém 60 substâncias diferentes. Em uma variedade estudada o linalol representou 30% de óleo linalol e em outra representou 70%.