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Correio Popular

Setor de máquinas lidera a geração de patentes no País

Publicado em 02 fevereiro 2007

O setor de máquinas e equipamentos é o que mais gera patentes no Brasil. Esse é o resultado parcial do Índice Brasil de Inovação (IBI), projeto do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT), do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp. Em maio, serão divulgadas as 12 empresas que mais investem em inovação no País. Grandes grupos como Petrobras, Embraer, Natura, Dow Química e Aché já se cadastraram na pesquisa, que receberá adesões até 15 de fevereiro. A liderança do setor de máquinas e equipamentos — caracterizado por deter média tecnologia — surpreendeu os pesquisadores, que utilizaram dados de 2001 a 2003 para testar a metodologia de pesquisa que será aplicada no IBI oficial.
Com 555 patentes confirmadas (de 1994 a 2003) e 988 inscrições de patentes (de 2001 a 2003), o setor de máquinas e equipamentos foi o recordista. Em segundo lugar ficou o setor de borracha e plástico, com 169 patentes e 362 depósitos. Apesar da tradição no investimento em inovação, a indústria química ficou em oitavo lugar.
"O resultado parcial surpreende, mas corrobora a realidade de uma metalurgia forte no Brasil", afirma o professor da Unicamp e coordenador da pesquisa André Furtado. A surpresa, explica o professor, é que o setor é mundialmente conhecido por deter média tecnologia, ao contrário de outros setores como farmacêutico, aeroespacial, telecomunicações e informática, que se utilizam de alta tecnologia, no entanto não se destacam em patentes e inovação, salvo algumas exceções.
No Brasil, a Petrobras é a empresa líder em patentes. A IBM é a número 1 em patentes nos Estados Unidos e Europa, mas não no Brasil. "Tudo isso nos mostra que não temos a cultura de patente", completa Furtado. No setor de máquinas e equipamentos, definido pelo professor como amplo e diversificado, se destacaram empresas como Arno, Multibrás (Brastemp e Cônsul) e Embraco. A indústria de eletrodomésticos, portanto, também está incluída nesse setor. "Elas têm muito bom desempenho em termos de patente", confirma Furtado. As patentes foram ordenadas de acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), do IBGE. Foram consideradas apenas as patentes cujo primeiro inventor seja residente no País.
Segundo ele, as empresas no geral não valorizam, como deveriam, a inovação. "Nós carecemos dessa preocupação. O fato de uma universidade (a Unicamp) ser a maior depositária de patentes do País mostra como as empresas não valorizam esse item, que é apenas um dos indicadores de inovação", afirma.
"Nós avaliamos a somatória dos esforços", explica a pesquisadora do DPCT Silvia Angélica Domingues. Segundo ela, considerar somente um indicador seria limitado. O conceito inclui o esforço das empresas, os valores investidos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), a política de recursos humanos e os resultados, entre outros itens.
Para que o IBI de cada empresa seja calculado, é preciso que os dados sejam fornecidos à equipe do DPCT. "Isso não dá trabalho", diz Furtado. Basta solicitar ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) os dados da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), que são sigilosos. A expectativa dos pesquisadores, coordenados pelos professores André Furtado e Ruy Quadros, é que pelo menos 100 empresas respondam ao questionário para que sejam avaliadas as mais inovadoras do País.
As empresas interessadas em participar da pesquisa devem preencher um formulário de adesão, na página www.labjor.unicamp.br/ibi. Para o professor Ruy Quadros, a índice também pode ser um instrumento para auxiliar a definição de políticas públicas. O objetivo do projeto, que tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é fazer um ranking das mais inovadoras do País, para que os resultados resultem em mais estímulo à inovação. Os resultados parciais foram obtidos por meio de análise da base de patentes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A iniciativa de criação do índice nasceu junto com a revista Inovação Uniemp.

Novas tecnologias ajudam a área do desenvolvimento
A empresa Haver & Boecker Latinoamericana Máquinas Ltda (HBL), em Monte Mor, é fabricante especializada em soluções para armazenagem, ensacamento e transporte de produtos a granel. A empresa brasileira de capital alemão utiliza tecnologia de sua subsidiária, mas também desenvolve produtos no Brasil que procuram atender às necessidades específicas dos clientes locais.
Graças a uma tecnologia própria de classificação óptica, suas máquinas separam materiais por cor, brilho, transparência, condução magnética, entre outras propriedades do material. A HBL também vem se destacando na área de máquinas para classificação e tratamento de minérios.
O ranking do Índice Brasil de Inovação (IBI) se divide em quatro setores diferentes. Serão avaliadas as três empresas mais inovadoras de cada um dos setores. O primeiro grupo inclui equipamentos eletrônicos, telecomunicações, equipamento de transportes; o segundo inclui indústria química, máquinas de equipamentos, petróleo e álcool; o terceiro, borracha e plástico, vestuário, móveis e metalurgia básica; e o quarto grupo, celulose, têxteis, couro, alimentos e minerais não-metálicos.