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Serviço on-line agiliza testagem para COVID-19 em São Caetano do Sul

Publicado em 16 abril 2020

Por Karina Toledo | Agência FAPESP

Uma plataforma on-line foi inaugurada no início de abril para agilizar a testagem de pacientes com sintomas de COVID-19 no município de São Caetano do Sul, Região Metropolitana de São Paulo.

O serviço – desenvolvido por meio de parceria entre a prefeitura local, a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), o Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) e a startup MRS – Modular Research System – permite o monitoramento remoto do paciente por equipes de saúde e a coleta domiciliar de amostras para diagnóstico, evitando deslocamentos desnecessários às Unidades Básicas de Saúde (UBS) e aos hospitais.

“A ideia é identificar e tratar precocemente os casos da doença, antes que se agravem. O monitoramento remoto permite diminuir a circulação de pessoas, o risco de transmissão do vírus e também a exposição dos profissionais de saúde”, afirma o infectologista Fábio Leal, professor da USCS e um dos idealizadores do projeto.

Para dar início ao atendimento, o morador deve se cadastrar na plataforma (com um CEP local válido) e responder a um questionário sobre seu estado de saúde e os sintomas que apresenta. Caso o morador não tenha acesso ou familiaridade com o meio digital, o cadastro pode ser feito pelo telefone 0800 774 4002 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h e, aos sábados, das 8h às 12h).

As informações são avaliadas por internos do curso de Medicina da USCS previamente treinados, que ligam para o telefone informado pelo morador em um prazo máximo de 24 horas para complementar o cadastro e o processo de triagem. Com base nas informações inseridas no sistema, o algoritmo desenvolvido pelos pesquisadores da MRS – Modular Research System calcula o escore do paciente, que vai definir se ele será apenas monitorado remotamente, se deve ser enviada uma equipe de saúde à residência para coleta de amostra ou se o morador deve ser encaminhado a atendimento de urgência.

“A força motriz desse projeto são os internos do curso de Medicina. Envolvemos os alunos do quinto e do sexto ano, como recomendou o Ministério da Saúde, tanto no teleatendimento como nas visitas domiciliares”, conta Leal.

A parcela dos estudantes que participam do trabalho de campo atua em parceria com a equipe do Programa Saúde da Família (PSF). “Os kits para autocoleta são distribuídos nas unidades do programa todas as manhãs e os internos saem para as visitas com o menor nível possível de exposição. O paciente é orientado por um vídeo a fazer a autocoleta e o interno pode tirar dúvidas, se necessário, durante a visita domiciliar”, explica Leal.

As amostras são enviadas ao laboratório da pesquisadora Maria Cássia Corrêa no IMT-USP, onde são analisadas em até 48 horas pela equipe coordenada pela professora da Faculdade de Medicina da USP Ester Sabino. Se o resultado for positivo, o paciente continua sendo monitorado remotamente por pelo menos 96 horas, com o objetivo de identificar sinais de gravidade que eventualmente surjam.

“Trata-se de uma estratégia de inteligência epidemiológica que alia tecnologia, ferramentas para diagnóstico, atendimento remoto e presencial. Além disso, abre a possibilidade de monitorar todas as pessoas com quem aquele morador que testou positivo teve contato próximo. Em vez de testar a esmo toda a população, podemos usar uma estratégia estruturada para definir a parcela da população que ainda está suscetível ao vírus”, explica Leal.

Modelo personalizado

Em entrevista coletiva concedida no dia 7 de abril, o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira, comentou a possibilidade de expandir o modelo de teleatendimento para outros municípios paulistas. “São Caetano do Sul tem um sistema de saúde extremamente organizado e, se saiu com uma solução como essa, nós vamos conhecer. Se for factível, por que não?”, disse.

Para isso, porém, seria preciso adaptar a plataforma para as condições específicas de cada cidade, explica Ligia Capuani, fundadora da MRS – Modular Research System ao lado de Helves Domingues. “A plataforma é parametrizada e configurada para atender às requisições de cada protocolo de pesquisa, que são muito diferentes. É um serviço personalizado”, afirma a matemática.

A startup desenvolve os algoritmos que auxiliam o desenvolvimento de diversos projetos de pesquisa, entre eles o “Estudo de tradução para a identificação, caracterização e validação de biomarcadores de gravidade em infecções por arbovírus” – apoiado pela FAPESP e pela empresa Biomerieux Brasil Indústria e Comércio de Produtos Laboratoriais no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) – e o Projeto Temático “Mortalidade fetal: desafios do conhecimento e da intervenção”.

“Estamos começando a conversar com a prefeitura de Amparo sobre a possibilidade de produzir algo semelhante ao que foi feito em São Caetano”, conta Capuani.

Na primeira semana de funcionamento, a plataforma Corona São Caetano registrou o atendimento de mais de 800 moradores e ao menos 180 coletas domiciliares de amostras para diagnóstico.