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Diário Oficial do Estado de São Paulo

Serviço de Retina da USP-RP cresceu 50% nos últimos anos

Publicado em 25 junho 2018

Por Viviane Gomes

Em 20 anos de existência, o Serviço de Retina e Vítreo do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), da Universidade de São Paulo (USP), comemora aumento de 50% no número de atendimento nos últimos anos. Em 2013, foram registradas 10 mil consultas; três anos depois, quase 15 mil.

Unidade é referência para a região, com população de 6 milhões de habitantes; paciente é encaminhado pelo sistema público de saúde

“Poucos centros de oftalmologia do Brasil apresentam resolutividade e agilidade semelhantes ao do Serviço de Retina do HCFM-RP da USP. Após encaminhamento do sistema público de saúde, a cirurgia é agendada 15 dias após a primeira consulta”, comemora o coordenador Rodrigo Jorge, fundador do serviço e professor de oftalmologia da FMRP da USP.

O serviço é referência para a região de Ribeirão Preto, com população estimada de 6 milhões de habitantes. O coordenador diz que também recebe encaminhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de pacientes do sul de Minas Gerais, do Estado de São Paulo e de outros Estados brasileiros.

Na sua avaliação, o local tornou-se referência devido aos investimentos em infraestrutura e em recursos humanos. É especializado no tratamento de problemas de retina e vítreo, aqueles no fundo do olho.

Equipamentos de ponta – Nos primeiros anos de funcionamento, o setor contava apenas com um aparelho que fotografava o fundo do olho. Hoje, dispõe de retinógrafo de última geração, um dos poucos da América Latina. Sua função é analisar raios de luz refletidos no fundo do olho para avaliar as células da retina.

Oferece ainda dois tomógrafos de retina e um microperímetro (mede a sensibilidade da região central da retina). Para tratar determinados problemas na retina, o paciente passa por sessões de laser, no próprio local.

Ao lado da estrutura e tecnologia, 17 médicos especializados e equipe multidisciplinar com mais de 15 profissionais realizam diariamente diagnóstico e tratamento.

O professor Jorge conta que, até o final dos anos 1990, pacientes de Ribeirão Preto eram encaminhados a São Paulo para atendimento específico de problemas na retina.

Hoje, com tecnologia de ponta e a aposta em inovação, a cidade atende toda demanda local, inclusive casos de outras regiões do Estado e do País. Além disso, possui unidade de emergência apta a atender casos urgentes da cidade e região.

Ensino e pesquisa – Esses resultados se devem aos investimentos em ensino, pesquisa, parcerias público-privadas e financiamentos, principalmente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Somos pioneiros no País em pesquisa no transplante de célula-tronco, retirada da medula óssea, para tratamento de doenças da retina”, explica o especialista.

O serviço realiza, em média, 740 cirurgias de vitrectomia anual para tratamento de diversas doenças oftalmológicas – descolamento de retina, tromboses venosas, hemorragia vítrea e buraco na mácula – e 45 mil procedimentos ambulatoriais, além das 15 mil consultas. Em média, cada paciente passa por três procedimentos padrões: mapeamento de retina, fotografia do fundo do olho e tomografia computadorizada.

De recém-nascidos a idosos, a retina envolve 40 tipos de doenças. O adulto jovem sofre mais com a retinopatia diabética, enquanto o idoso tem mais problemas com a degeneração da mácula. Crianças que Serviço de Retina da USP-RP cresceu 50% nos últimos anos nascem antes do tempo podem apresentar problemas com a retinopatia da prematuridade; já aquelas em idade escolar e os jovens podem ter várias doenças menos raras (alterações na retina e do fundo do olho causadas por sífilis e toxoplasmose ocular).

Embaçamento visual – Segundo o especialista, as doenças de retina apresentam diversos sintomas diferentes. No entanto, a queixa padrão é o embaçamento visual. “Alguns pacientes relatam perda da visão repentina, outros, pontos de luz no campo visual, há ainda aqueles que reclamam de muita dor”, exemplifica.

“Nestas duas décadas de trabalho, a população foi quem mais ganhou com o serviço”, comemora o professor. Isso se deve principalmente ao número de especialistas formados no serviço.

Jorge destaca a importância da difusão do conhecimento que esses profissionais produzem. “Antigamente, para fazer um exame simples de angiofluoresceinografia (imagens do fundo do olho após aplicação de contraste), o paciente tinha apenas o HCFM-RP”. Hoje, o cidadão da região de Ribeirão possui o serviço especializado e somente é encaminhado ao HC quando precisa de procedimento mais complexo.

A qualidade da produção científica da equipe fica evidente com os destaques nacionais e internacionais. São registrados 110 artigos inéditos e outros dez em andamento; 33 prêmios em eventos científicos, cinco apenas neste ano; entre eles, os prêmios Suel Abujamra, Mário Motta, Novartis, Márcio Nehemy e Oswaldo Moura Brasil.