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Jornal da Tarde online

Serra volta a cobrar tolerância zero contra corrupção

Publicado em 25 fevereiro 2005

O prefeito José Serra PSDB esteve ontem na primeira reunião dos 31 subprefeitos nomeados, realizada na Subprefeitura de Santo Amaro, na Zona Sul, e pediu "tolerância zero" à corrupção na Capital. "O foco de corrupção são as coordenadorias de Uso e Ocupação do Solo. Não são todas, mas muitas, que fazem caixinhas que pagam políticos e muito mais. Isso é intolerável. É tolerância zero", afirmou.
Essa é a segunda vez que o tucano pede empenho no combate ao esquema de propina que, segundo ele, estaria pulverizado na administração municipal. No início deste mês, também sem apresentar nenhuma prova concreta, o prefeito chegou a comparar São Paulo a Chicago dos anos 30, época em que Al Capone e gângsteres dominavam a cidade norte-americana.
Apesar do discurso inflamado, a Prefeitura mal sabe exatamente como resolver o problema. A única estratégia anunciada para enfrentar a suposta corrupção ainda está em estágio embrionário. Segundo o secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Walter Feldman, um projeto piloto deve ser colocado em prática, mas sem data certa, na Subprefeitura da Lapa. Pela idéia, entidades como Transparência Brasil, Fapesp e Fundação Getúlio Vargas FGV iriam estudar como funciona esse sistema ilegal.
"Os caminhos da corrupção merecem uma análise científica, que não siga apenas um desejo moral, uma emulação pontual, um desejo do administrador. Vamos fazer a análise de como a corrupção acontece", explicou Feldman, mostrando que a nova administração, apesar da promessa de campanha tucana de governar "desde a primeira hora", ainda não tomou pé da situação da Cidade.
Mesmo assim, Feldman está entusiasmado com o trabalho. "Nós acreditamos que só o anúncio já vai reduzir muito os níveis de corrupção", alegou. O prefeito mostrou não pensar da mesma maneira. Chegou inclusive a sinalizar, comparando a corrupção a uma doença, que as ações podem levar mais do que quatro anos para mostrar resultado. "Se no final (do mandato) a gente puder, não digo tomar da água, mas pelo menos entrar (nas subprefeituras) sem pegar doença já será uma boa coisa. Hoje não dá para entrar sem pegar uma infecção", disse.
Com tantas demandas, os 31 subprefeitos empossados na Cidade ainda estão envoltos em uma densa nuvem de dúvidas sobre suas reais funções. Ontem, sobraram questionamentos dos participantes. As principais reclamações dos subprefeitos estavam relacionadas à falta de orientação sobre os papéis dos diversos servidores das subprefeituras e, principalmente, sobre como seguir as normas estabelecidas pelo novo Plano Diretor do município.
Segundo relato de alguns Subprefeitos, os fiscais ainda não sabem como lidar com a atualização das leis que regem o uso e ocupação do solo.