Notícia

Diário do Comércio (SP)

Serra critica protecionismo dos EUA

Publicado em 09 março 2007

O governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que, se tiver oportunidade vai conversar com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush — que visita o Brasil hoje e amanhã —,sobre o etanol. Serra é um dos convidados para o almoço em São Paulo entre Bush, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades. "Eu não sou promotor do almoço, a agenda é do presidente da República. Mas, se for chamado a falar, falarei sobre o assunto", disse Serra.
Segundo o governador paulista, a questão básica nesse momento são as tarifas norte-americanas sobre o etanol. "Os Estados Unidos pregam o livre comércio. Mas quando é da sua conveniência, deixam o livre comércio de lado. Há uma contradição dos EUA nessa matéria do etanol", criticou Serra, acrescentando que os tributos incidentes sobre cada galão do etanol brasileiro (em torno de US$ 1,08) são prejudiciais também aos consumidores norte-americanos, que poderiam pagar um preço menor pelo produto.
O governador de São Paulo acredita que há espaço para o Brasil entrar na batalha pela redução do protecionismo norte-americano sobre o etanol. "O Brasil te a economia mais aberta do que a americana. A economia brasileira está entre as cinco ou dez mais abertas do mundo, porque não há expediente de protecionismo não tarifário (taxas especiais e cotas), como há nos Estados Unidos", reiterou.
Comissão — Serra disse que o governo está criando uma comissão especial para apresentar um plano em relação à energia renovável em São Paulo, "especialmente na área de combustíveis, que inclui o etanol como principal protagonista". E citou que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), já está realizando um estudo nessa área, com a participação do setor privado, com recursos da ordem de R$ 100 milhões. Dentre as empresas do setor privado envolvidas nessa pesquisa, estão algumas da área petroquímica.
O governador disse que esta é a maior pesquisa a ser feita no Brasil neste segmento. "Vamos estudar variantes mais produtivas da cana-de-açúcar para o etanol como também a extração de etanol da celulose, da palha e do bagaço da cana. E também faremos pesquisas na área da alcoolquímica".
O governador paulista disse também que São Paulo pretende dar assistência técnica a outros estados que queiram investir nessa cultura.