Notícia

Folha de S. Paulo - Vale (São José dos Campos)

Serra critica protecionismo dos EUA sobre o etanol brasileiro

Publicado em 08 março 2007

Por Elizabeth Lopes

O governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que se tiver oportunidade vai conversar com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush (que visita o Brasil nesta quinta e sexta-feira), sobre o etanol. É possível, sou convidado para o almoço (que vai ocorrer na Capital entre Bush, o presidente Lula e outras autoridades), não sou promotor do almoço, a agenda é do presidente da República. Se for chamado a falar, falarei.
Segundo José Serra, a questão básica do etanol nesse momento são as tarifas norte-americanas sobre o etanol. E criticou: Os Estados Unidos pregam o livre comércio. Mas quando é da sua conveniência, deixam o livre comércio de lado. Há uma contradição dos EUA nessa matéria (etanol). E disse que os tributos incidentes sobre cada galão do etanol brasileiro (em torno de US$ 1,08), é prejudicial também aos consumidores norte-americanos, que poderiam estar pagando um produto mais barato.
O governador de São Paulo acredita que há espaço para o Brasil entrar na batalha pela redução do protecionismo norte-americano sobre o etanol. O Brasil tem a economia mais aberta do que a americana. A economia brasileira está entre as cinco ou dez mais abertas do mundo, porque não há expediente de protecionismo não tarifário (taxas especiais e cotas), como há nos Estados Unidos, reiterou.

Comissão do etanol
Serra disse que o governo está criando uma comissão especial para apresentar um plano em relação à energia renovável em São Paulo, especialmente na área de combustíveis, que inclui o etanol como principal protagonista. E citou que a Fapesp já está realizando uma pesquisa nessa área, com a participação do setor privado, com recursos da ordem de R$ 100 milhões. Dentre as empresas do setor privado envolvidas nessa pesquisa, estão algumas da área de petroquímica.
O governador disse que esta é a maior pesquisa a ser feita no Brasil, neste segmento. Vamos estudar variantes mais produtivas da cana-de-açúcar para o etanol, como também a extração de etanol da celulose, da palha e do bagaço da cana. E também (realizar pesquisas) na área da alcoolquímica, que é uma questão para o futuro de São Paulo. E destacou a intenção de São Paulo dar assistência técnica a outros Estados que queiram investir nessa cultura. Estamos dispostos a dar assistência técnica a outros Estados porque temos interesse que a cana se dissemine.