Notícia

Gazeta Mercantil

Série ISO permitirá controle ambiental

Publicado em 17 abril 1996

Por Lívia Ferrari - do Rio
Dentro de dois meses entrará em vigor no mercado internacional a série ISO 14000 sobre sistemas de gestão ambiental. A partir daí, a Organização Mundial de Comércio (OMC) já terá instrumento técnico e normativo para analisar queixas comerciais contra práticas de "dumping" ambiental e contra a utilização indevida dos recursos naturais pelo mercado. As cinco primeiras normas ambientais de certificação de empresas, as ISO 14001.14004, 14010, 14011 e 14012, serão votadas na semana de 17 a 23 de junho, no Rio de Janeiro, durante a IV reunião plenária da comissão técnica (TC)-207, que reúne representantes de cerca de 90 países. Deste encontro resultarão, ainda, minutas de futuras normas sobre rotulagem ambiental (denominado selo verde); desempenho ambiental das empresas; e análise do ciclo de vida do produto, que tem como conceito básico a avaliação dos efeitos ambientais causados desde a extração da matéria-prima até o descarte final do produto. A série 14000 contará com um total de 28 normas, que entrarão em vigor paulatinamente. O TC-207, coordenado pelo Canadá, foi instalado em 1993 para a elaboração da série de normas sobre gestão ambiental e suas ferramentas para as empresas. Mesmo antes das normas entrarem em vigor, já é possível avaliar o interesse das empresas brasileiras de vários setores em aplicar voluntariamente a série 14000. Pesquisa feita pela empresa de consultoria e auditoria Price Waterhouse mostra que 43,1% das 500 maiores indústrias do país pretendem certificar-se por essas novas normas, consideradas importante instrumento de competitividade. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a representante oficial do Brasil na ISO (International Organization for Standardization), com sede em Genebra. Através do Grupo de Apoio à Normatização Ambiental (GANA), formado por 35 empresas, o Brasil vem tendo participação atuante no TC-207, evitando, sobretudo, que as questões ambientais venham a ser utilizadas como uma barreira não tarifária ao comércio. Maurício José Lima Reis, gerente de desenvolvimento sustentável da Vale do Rio Doce e coordenador geral do Gana, destaca a preocupação da delegação brasileira em evitar a aprovação de normas tendenciosas em favor dos países do Primeiro Mundo. "Evitar que os critérios para a formulação das normas ISO 14000 sejam meras reproduções de normas européias ou norte-americanas", diz.