Notícia

Diário do Comércio (SP) online

Seria irresponsável fazer racionamento de água, diz Alckmin

Publicado em 02 agosto 2014

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse, neste sábado (2), que "não pretende mudar nenhuma estratégia" relacionada ao abastecimento de água do Estado. "A população tem aderido e ajudado muito através do uso racional da água. E, 90% da população reduziu o consumo de água", disse. "Seria uma atitude até irresponsável fazer racionamento, pois poderíamos perder toda a economia obtida", comentou.

 

Alckmin explicou que o racionamento poderia causar prejuízo material. "E isso poderia ter até ter perdas físicas, pois quando fecha um sistema e depois reabre tem uma grande mudança de pressão", comentou, referindo-se ao Sistema Cantareira. "Então, a decisão é técnica, e estamos preparados para chegar até o período das chuvas", disse. Ele fez os comentários depois de participar de evento com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em São Paulo, no Fórum Econômico Brasil e Japão, que reuniu cerca de 300 empresários.

 

SP está pronto para investimento japonês

 

No evento, Alckmin, afirmou que o Estado está preparado para oferecer às empresas nipônicas as melhores condições para investimentos. "Somos a décima nona economia do mundo e o farol industrial da América Latina. Nosso PIB é maior do que da Suécia, Arábia Saudita e quase o dobro do argentino", comentou.

 

Alckmin ressaltou que São Paulo tem um total de US$ 28 bilhões em projetos de parcerias público privadas (PPPs), grande parte delas voltadas a investimentos em infraestrutura, sobretudo em mobilidade urbana, com destaque para trens regionais, urbanos, metrô e monotrilho.

 

"Temos inúmeras oportunidades de negócios para as empresas japonesas", comentou o governador. Ele também destacou que o Estado oferece boas condições tecnológicas para as companhias nipônicas, pois somente a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) investiu US$ 511 milhões em 2013 para o apoio a inovação e pesquisa. "Estou confiante no futuro do nosso relacionamento com o Japão e nas oportunidades para o empresariado", disse. "A pujança econômica de São Paulo faz o Estado mais atraente para o empreendedorismo."

 

Alckmin também lembrou que São Paulo e Japão têm históricos laços culturais, pois foi em 18 de junho de 1908 que o navio Kasatu Maru aportou em Santos, trazendo 165 famílias e inaugurou o ciclo de imigração japonesa no Brasil.

 

Abe diz que Japão ampliar relação com América Latina

 

Para o premiê Shinzo Abe, Japão, Brasil, América Latina devem aprofundar seu relacionamento econômico, social e cultural, tendo como foco três princípios comuns: "progredir, liderar e inspirar." "Vamos aprofundar, sem limites, as relações do Japão com os países da América Latina", disse. "A América Latina é o parceiro com quem devemos contar."

 

Abe ressaltou que esta estratégia é coerente com a sua política econômica, cujos objetivos são fortalecer as finanças públicas e o setor financeiro, a fim de alavancar o crescimento no Japão. Ele citou que a "terceira flecha" seria elevar de forma expressiva o investimento privado. "O Japão retomou o avanço pujante", disse.

 

Shinzo Abe ressaltou que o Japão e a América Latina possuem valores comuns que precisam ser destacados e são dois pontos importantes de identificação: "a busca pela paz, respeito à liberdade e zelo pelos direitos humanos."

 

Em palestra no Forum Econômico Brasil e Japão, com cerca de 300 empresários, Shinzo Abe lembrou a memória do piloto Ayrton Senna. "Senna, com seu carro com o motor Honda, de maneira ousada, que atacava as curvas. Suas corridas em Suzuka conquistaram os japoneses", afirmou. "Senna dizia que os engenheiros da Honda davam tudo para conquistarem seu ideal e que o Japão e os japoneses estavam num lugar especial no seu coração."