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Sensor elétrico natural

Publicado em 26 fevereiro 2006

Agência FAPESP
A partir de um programa genético comum, os tubarões desenvolveram um sistema inusitado, que os capacita a perceber com grande exatidão os sinais elétricos emitidos por suas presas. Mesmo que esses sinais sejam emitidos por um peixe escondido na areia do fundo do mar.
Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, descobriram que as células da crista neural estão na base desse desenvolvido sistema de percepção elétrica. Os resultados do trabalho estão na edição atual do periódico Evolution & Development.
A partir de testes moleculares, os cientistas encontraram dois tipos de marcadores genéticos de células neurais que participam da formação do sistema de percepção elétrica dos tubarões.
Um dos grupos surge no desenvolvimento embrionário, na região cerebral. Com o tempo, essas células migram para outros pontos da cabeça do animal, também durante a evolução embrionária. O resultado é uma característica fundamental para a navegação e para a caça.
O conjunto de células agora identificado é o mesmo que provoca o surgimento da linha lateral nos peixes em geral, estrutura que auxilia no equilíbrio dentro da água. Em seres humanos essas estruturas, que a grosso modo também surgem dos mesmos tipos de células, estão dentro do ouvido interno.
Acredita-se que os ancestrais dos organismos terrestres atuais tenham vindo do mar. Entretanto, nesse processo, especulam os cientistas, eles não apenas deixaram para trás, em termos evolutivos, as linhas laterais, como todo o sistema de percepção dos sinais elétricos.
Mamíferos, aves e répteis perderam essa percepção, muito por conta do meio em que eles resolveram viver. O ar, bem diferente da água, não é um bom condutor elétrico. Isso fez com que os peixes, por exemplo, continuassem até hoje desenvolvendo sistemas que ajudam a perceber as movimentações das presas pela condutividade, que é transmitida muito bem pela água.
O artigo Developmental origin of shark electrosensory organs, de Martin J. Cohn e colegas, pode ser lido por assinantes da Evolution & Development em www.blackwell-synergy.com/loi/ede.