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Diário da Saúde

Sensor detecta esclerose múltipla nos estágios iniciais da doença

Publicado em 25 maio 2020

Por Maria Fernanda Ziegler, da Agência FAPESP

Pesquisadores da UFSCar de Sorocaba (SP) desenvolveram uma técnica para diagnosticar precocemente uma doença do sistema nervoso central, a esclerose múltipla, e distingui-la de outra assemelhada, a neuromielite óptica.

Em pessoas acometidas por essas enfermidades, o sistema imunológico produz anticorpos que atacam e danificam parte da camada da bainha de mielina, a capa protetora que envolve os neurônios e auxilia na transmissão dos impulsos nervosos. Com o tempo, surgem lesões permanentes em regiões do cérebro.

Para detectar herbicidas, metais pesados e outros poluentes, que também afetam o sistema nervoso, a equipe já havia desenvolvido um nanobiossensor - um sensor com dimensões nanoscópicas feito com materiais biológicos.

O que se confirmou agora é que o mesmo sensor permite observar a interação entre os anticorpos presentes nas amostras de pacientes depositadas em um microscópio eletrônico e os peptídeos que compõem a bainha de mielina.

"Com o microscópio de força atômica é possível detectar a presença de anticorpos específicos para cada uma dessas duas doenças no líquor e no soro sanguíneo. Se os anticorpos forem atraídos pelos peptídeos que depositamos no sensor durante o teste, é sinal de que o paciente tem a doença. O equipamento é muito sensível e capaz de identificar uma quantidade pequena desses anticorpos, ou seja, é capaz de diagnosticar ainda nas fases iniciais da doença," contou o pesquisador Fábio de Lima Leite.

Esclerose Múltipla e Neuromielite

A esclerose múltipla é diagnosticada clinicamente a partir de sintomas relatados pelo paciente e por exames de ressonância magnética, que identificam lesões em determinadas áreas do cérebro. Os dois equipamentos têm custo muito elevado, enquanto o nanobiossensor poderá ser muito barato.

"Foi necessário purificar o líquor e o soro para deixar só os anticorpos na amostra. Assim, foi possível detectar anticorpos específicos para a esclerose múltipla, como o anti-MBP85-99 [antiproteína básica de mielina]. Se esses anticorpos estão circulando nos pacientes, é provável que eles tenham esclerose múltipla. Nosso próximo objetivo no estudo é conseguir fazer um sensor que não precisa de amostras purificadas," disse Fábio.

A equipe também conseguiu identificar a neuromielite óptica em pacientes e distingui-los de pacientes acometidos pela esclerose múltipla. "Já existe um biomarcador específico para a doença. Portanto, foi possível detectar o anticorpo da aquaporina-4 em amostras de pacientes, utilizando o mesmo método usado para detectar a esclerose múltipla," contou a pesquisadora Ariana de Souza Moraes.

Atualmente, a neuromielite óptica pode ser identificada por uma metodologia conhecida como ELISA (ensaio de imunoabsorção enzimática, na sigla em inglês), de baixo custo e amplo alcance para a população. "Porém, essa plataforma não é tão sensível quanto o nanoimunossensor e não detecta a doença em estágios iniciais," disse Ariana.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Nanoimmunosensor based on atomic force spectroscopy to detect anti-myelin basic protein related to early-stage multiple sclerosis

Autores: Pâmela Soto Garcia, Doralina Guimarães Brum, Osvaldo N. Oliveira Jr, Akemi Martins Higa, Jéssica Cristiane Magalhães Ierich, Ariana de Souza Moraes, Flávio Makoto Shimizu, Nancy M.Okuda-Shinagawa, Luís Antonio Peroni, Paulo Diniz da Gama, M. Teresa Machini, Fabio Lima Leite

Publicação: Ultramicroscopy

DOI: 10.1016/j.ultramic.2020.112946

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Com informações da Agência Fapesp