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Farmacêutico Márcio Antoniassi

Sensor desenvolvido na USP de São Carlos detecta substâncias no suor e permite monitorar a saúde

Publicado em 22 julho 2020

Por Marcio Antoniassi

Ele também pode ser usado para controle hormonal. Estudo é realizado em parceria com a Unesp, Unicamp, Uniara e com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais.

Um sensor desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), detecta substâncias presentes no suor e permite o monitoramento de doenças, como a diabetes, além de fazer o controle hormonal. Com o tamanho menor que a tampa de uma caneta, o sensor pode ser colocado sobre a pele como se fosse um adesivo. Os pesquisadores ainda não começaram os testes em humanos, mas o estudo está avançado.

Funcionamento – O sangue, urina e fezes, que normalmente são utilizados para exames de rotina, pois carregam muitas informações sobre a saúde não são as únicas possibilidades. A pele, por exemplo, é uma grande interface e o suor pode apresentar muitas informações sobre a situação da saúde. O sensor de nanocelulose pode fazer uma leitura da saúde a partir da transpiração, o suor que para muitas pessoas pode ser um incômodo no dia a dia, deve ajudar a dar respostas importantes como os níveis de hormônio femininos. A tecnologia também se mostrou eficaz para medir níveis de ácido úrico e alguns metais.

“Com essa inovação, nós poderemos a partir de agora usar o suor como uma maneira de verificar a saúde do nosso corpo”, explicou o professor do IFSC, Osvaldo Novais de Oliveira Junior. Outra aplicação possível do sensor é para acompanhar o índice de glicose. A leitura, que hoje em dia, é feita por meio de uma gotinha de sangue tirada do dedo, pode ser medida por meio do suor. “Primeiro em um diagnóstico que é mais preciso e particularizado para aquele indivíduo e depois a terapia que pode ser individualizada também”, disse o professor.

Inteligência artificial – Existem tecnologias parecidas com essa no mercado, mas até então o material usado era o plástico. Este é diferente, é um polímero 100% natural produzido a partir de bactérias do açúcar. “A gente consegue obter uma membrana biocompatível com a nossa pele e isso evita reações de alergia, por exemplo, de rejeição da pele com relação ao dispositivo”, disse o pesquisador do IFSC, Paulo Augusto Raymundo Pereira.

Testes – A pesquisa ainda não chegou na fase de testes em humanos, mas o pesquisador aderiu o sensor à pela para mostrar que é aderente, sendo possível colocar até nas dobras do corpo sem sair. Com o uso de cabos, as informações chegam ao computador. “A inteligência artificial vai ajudar ela vai nos ajudar a combinar várias informações a respeito do nosso estado de saúde, então se o indivíduo é do gênero masculino ou feminino, a idade, a região onde ele mora”, afirmou o pesquisador.

A médica endocrinologista Thais Cotrim avalia como positiva a criação de novas formas de diagnóstico, ainda mais não sendo técnicas invasivas. “Seria muito interessante não só para detecção, mas para o segmento em tempo real fazendo o paciente entrar em contato com o médico para dar a devida conduta naquele momento de uma forma mais confortável”, disse a médica. Com a pesquisa, há possibilidade de juntar diagnóstico e terapia ao mesmo tempo. “Ou seja, nós podemos com o mesmo dispositivo fazer o diagnóstico de uma certa condição de saúde e ao mesmo tempo aplicar o remédio que vai resolver aquele problema que foi detectado”, disse o professor.

O estudo é desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de Araraquara (Uniara) e com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e já foi divulgado em um periódico científico internacional.

Fonte: G1