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Dica de Teatro

Seminários “Amor Mundi – Pensando com Hannah Arendt” Cia Fragmento de Dança

Publicado em 14 agosto 2020

“Amor Mundi” é o seminário inspirado no pensamento da filósofa Hannah Arendt, que a Cia Fragmento de Dança promove nos próximos três sábados do mês de agosto (dias 15, 22 e 29/08), sempre das 10h às 13h, como parte do processo de criação do seu novo trabalho em dança contemporânea. Em cada encontro, uma convidada especial discorrerá sobre um tema específico.

Crislei de Oliveira Custódio, organizadora da coletânea “Hannah Arendt: a crise na educação e o mundo moderno” (2017 – Fapesp /Editora Intermeios), encabeça a apresentação do dia 15/8, sobre o tema “Amor mundi e natalidade em Arendt: diálogos sobre educação e política”, que pretende elucidar os conceitos de amor mundi e de natalidade em Hannah Arendt, propondo a compreensão dessas noções na interface com as concepções de educação e de política para a autora.

A palestra-aula do dia 22/08, “Como narrar (amar) o mundo”, tem à frente Laura Mascaro, pesquisadora do grupo ‘Violência em Tempos Sombrios’, dedicado ao pensamento de Hannah Arendt no NEV-USP, que atua como advogada no Núcleo Paulista de Mediação e Arbitragem. A ideia é mostrar como a narrativa, faceta pouco conhecida de pensamento de Arendt, é essencial para a sua forma de compreender e julgar, atribuindo sentido e colaborando para nosso “amor ao mundo”.

A filósofa, educadora Suze Piza, pesquisadora do pensamento ético-político contemporâneo, fecha a série de encontros no dia 29/08, com o tema “Implicações políticas do amor mundi e o espírito da Revolução”. Usando o conceito de amor mundi como mobilizador para identificar a apatia, o descuido, o isolamento, a dessubjetivação como origens dos totalitarismos, a proposta é atravessar a obra da filósofa de forma a compreender o vínculo essencial, mas raramente tematizado pelas tradições revolucionárias, entre cuidado e política.

Para participar, as inscrições, gratuitas, devem ser feitas

no site: www.ciafragmentodedanca.com.br

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Serviço:

Seminários “Amor Mundi – Pensando com Hannah Arendt”

Com: Crislei de Oliveira Custódio, Laura Mascaro e Suze Piza

Proposta da Cia Fragmento de Dança

Dias 15, 22 e 29/08 (sábados), das 10h às 13h.

Inscrições no site: www.ciafragmentodedanca.com.br

grátis

Mais sobre os encontros:

15/08 – Amor mundi e natalidade em Arendt: diálogos sobre educação e política – Crislei de Oliveira Custódio

A política, pedra angular do pensamento de Arendt, é o âmbito a partir do qual a autora pensa a própria condição humana e a relação dos homens com o e no mundo. Para ela, “no centro da política jaz a preocupação com o mundo, não com o homem”. Ou seja, visto da perspectiva da esfera política, o mundo é mais relevante do que a vida individual de cada ser humano.

Acerca da educação, a autora afirma que a natalidade – “o fato de que os seres nascem para o mundo” – é a essência dessa atividade. Arendt, aliás, situa a educação em uma posição intermediária: entre o velho e o novo e, em sua dimensão escolar, também entre o público e o privado. Assim, ao mesmo tempo em que a educação – e, especificamente, a escola – assume o compromisso com a preservação do mundo, ela compromete-se, de certa maneira, com sua renovação. À proporção que a educação apresenta e inicia os novos neste mundo, ela oferece-lhes a possibilidade de estabelecer laços de pertencimento. À medida que conserva fragmentos do passado e histórias daqueles que nos antecederam, ela cria condições para que os recém-chegados tenham novas experiências e comuniquem novas interpretações. E, ao passo que apresenta um mundo velho às crianças e jovens, o qual os interpela quanto à novidade e ao ineditismo que trazem, a educação tende a possibilitar que esses novos se apresentem ao mundo e revelem quem são.

Em vista disso, neste encontro se pretende elucidar os conceitos de amor mundi e de natalidade em Hannah Arendt, propondo a compreensão dessas noções, na interface com as concepções de educação e de política para a autora.

Crislei de Oliveira Custódio

Licenciada em Pedagogia, Mestre e Doutora em Educação pelo Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da Faculdade de Educação da USP. Membro da equipe de educação em direitos humanos do Instituto Vladimir Herzog. Professora titular do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNIB e membro do grupo de estudos “Violência em tempos sombrios” do NEV/USP. Foi organizadora da coletânea “Hannah Arendt: a crise na educação e o mundo moderno”, publicada em 2017, com apoio da Fapesp pela Editora Intermeios.

22/08 – Como narrar (amar) o mundo – Laura Mascaro

“A narrativa revela o sentido sem cometer o erro de defini-lo” (H. Arendt). Essa citação de Hannah Arendt revela uma faceta pouco conhecida de seu pensamento: a narrativa. Nessa aula pretendemos mostrar como o narrar é essencial para a forma de compreender e julgar de Hannah Arendt. A narrativa também é uma forma de conservar o que existe de precioso no mundo, atribuindo sentido e colaborando para nosso “amor ao mundo”.

Laura Mascaro

Graduada em Direito, Mestre pelo departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito (USP) e Doutora em Literatura Francesa pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP), com período sanduíche na Université Paris III – Sorbonne Nouvelle. Sua tese de doutorado “Memória e Verdade em La Douleur, de Marguerite Duras” foi indicada para os prêmios Tese Destaque USP – 2018 e CAPES Tese – 2018. Atualmente, é Professora do curso de direito da Universidade São Judas Tadeu, pesquisadora do grupo “Violência em Tempos Sombrios”, dedicado ao pensamento de Hannah Arendt no NEV-USP, e atua como advogada no Núcleo Paulista de Mediação e Arbitragem.

29/08 – Implicações políticas do amor mundi e o espírito da Revolução – Suze Piza

Pensar a política na filosofia de H. Arendt usando o conceito de amor mundi como mobilizador para identificar a apatia, o descuido, o isolamento, a dessubjetivação como origens dos totalitarismos; o estar-em-casa, o pertencimento, a convivência, a partilha com o outro, a responsabilidade com o mundo como as condições de possibilidades históricas para a política e as revoluções. A proposta é atravessar a obra da filósofa de forma que possamos compreender o vínculo essencial, mas raramente tematizado pelas tradições revolucionárias, entre cuidado e política.

Suze Piza

Filósofa, educadora, com mestrado, doutorado em Filosofia pela Unicamp e pós-doutorado em filosofia e psicanálise. Pesquisa pensamento ético-político contemporâneo. É professora do programa de pós-graduação em Filosofia e do Programa de Economia política Mundial de pós-graduação da UFABC.

 

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