Notícia

Agência USP de Notícias

Seminário revê o ensino superior em cenário de expansão

Publicado em 29 novembro 2007

É consenso que a formação de um país mais forte econômica e socialmente passa pela educação. Notadamente, pelo ensino superior — sempre é citado o exemplo sul-coreano, no qual um país de tradição agrária e arrasado por uma guerra tornou-se uma potência tecnológica em menos de meio século, e motivado principalmente pelo "boom" na formação superior dos seus moradores.

O cenário atual — não somente o brasileiro — é de expansão do ensino superior. De algo relacionado a uma elite o ensino superior passa a se tornar uma realidade até massificada em alguns países. Como o Estado deve interagir com esse cenário? Incentivar a massificação, estimular a abertura de universidades particulares, focar seus investimentos na educação de base?

 "Toda essa situação sugere uma aplicação maior de dinheiro público. E, portanto, o Estado precisa determinar com transparência suas políticas para que esses recursos sejam bem aplicados", diz a professora Elizabeth Balbachevsky, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A docente é também pesquisadora do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas (NUPPS), centro que estuda, entre outras questões, o ensino superior. O NUPPS é um dos organizadores do seminário Ensino superior numa era de globalização: comparando políticas nacionais de inclusão social e financiamento, que acontece na Assembléia Legislativa de São Paulo nos dias 3 e 4.


Expansões

Para Elizabeth, a propalada universalização do ensino superior não se resume somente ao aumento de pessoas que freqüentam faculdades. Ela se dá também com a inclusão de diferentes grupos — sejam étnicos, religiosos ou de outras naturezas — que historicamente estavam marginalizados dos processos de educação formal.

"Esses novos grupos precisam de um apoio que não se resume ao lado financeiro", diz a docente. Para Elizabeth, nasce aí uma problemática de certo modo recente que demanda o amadurecimento de discussões e políticas a serem implementadas, para que a recepção desses grupos seja feito de maneira satisfatória. "É inegável que diferenças competências acadêmicas podem estar em pessoas de diferentes facções", explica.

Sobre essas "competências acadêmicas", a professora lembra que o quadro atual delineia algo chamado como a "Terceira Revolução Acadêmica". Que se define por uma aproximação intrínseca entre o setor produtivo e o meio acadêmico — as grandes companhias já não mais esperam que o Estado forme pessoas, e sim têm demandas específicas e até interferem nos processos de formação dos futuros profissionais.

 "O momento é de um 'caldo de efervescência'", diz a professora, lembrando de questões relativamente atuais como os debates sobre patentes e a explosão da produção tecnológica.


Dinheiro

O estado de São Paulo é, segundo Elizabeth Balbachevsky, um exemplo emblemático de como a expansão do ensino superior é um assunto de difícil consenso. Em um cenário ideal, poderíamos pensar no governo ampliando o número de campi e vagas das três universidades públicas — USP, Unicamp e Unesp — para atender à demanda de uma população jovem crescente. "Mas hoje as três consomem cerca de 10% do ICMS [principal fonte estadual de arrecadação]. Então como imaginar que seja possível colocar mais recursos?", explica a professora.

A sociedade exige que a aplicação dos recursos públicos seja bem feita e, também por isso, que as universidades passem por um mecanismo de avaliação mais preciso. Aí se inicia um novo debate, questionando se o que há hoje nesse sentido é satisfatório.

 Para a professora e pesquisadora do NUPPS, a resposta que as universidades — e essencialmente as públicas — precisam dar a essa demanda se quantifica não somente por avaliações formais, mas também pela apresentação de resultados científicos e sociais. "A universidade precisa mostrar para a sociedade os resultados de seu trabalho científico, e também de suas iniciativas no campo da extensão", completa.


Seminário

A discussão que se dará na Assembléia Legislativa tem foco essencialmente internacional. A troca de experiências acontecerá com palestrantes de diferentes países, como Pedro Teixeira (Universidade do Porto, Portugal), Wan-Hua Man (Universidade de Pequim, China) e mesmo de outros locais do Brasil.

Com essa diversificação entre os debatedores, o seminário atende à sua expectativa de trazer diferentes olhares para um problema semelhante: "o que o Brasil vive na questão do ensino superior não é algo único. Outros países têm realidades parecidas. Então precisamos ouvi-los e ver como eles lidam com esse problema", finaliza Elizabeth.


Inscrições

A participação no seminário é gratuita, mas é necessária inscrição prévia, que pode ser feita até o término das vagas pelos telefones (11) 3886-6280/6282.

O seminário acontecerá no Auditório da Fapesp, que fica na Rua Pio XI, 1.500, 4º Andar, Lapa, São Paulo.