Notícia

ANP - Agência Nacional de Petróleo

Seminário Internacional de Combustíveis de Aviação

Publicado em 18 junho 2012

 O Seminário foi aberto pelos Diretores Helder Queiroz da ANP e Paulo Roberto Costa da Petrobras, que discorreram sobre o crescimento do mercado de combustíveis de aviação, a demanda por combustíveis alternativos e o papel do agente regulador.

          Foram proferidas palestras que apresentaram informações relevantes por representantes de entidades do setor tais como Iata (International Air Transport Association), SAC (Secretária de Aviação Civil da Presidência da República), Boeing, Embraer, GE Global Research, Nest Oil, CEPMA (Central Europe Pipeline - Management Agency), ICAO (International Civil Aviation Organization), FAA (Federal Aviation Administration), BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Icone (Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais), ASTM (American Society for Testing and Materials), Abrapa (Aliança Brasileira para Biocombustíveis de Aviação), Senasa (Servicios y Estudios para la Navegación Aérea y la Seguridad Aeronáutica S.A.), Sky Energy, Harty Energy, Germian Aerospace Center, Embrapa e Petrobras.

          O primeiro dia do seminário foi dedicado às discussões sobre produção, demanda, qualidade e logística de distribuição do querosene de aviação no Brasil e no mundo.

          Após a finalização de cada painel foram realizados debates entre os palestrantes e os participantes do evento, que enriqueceram ainda mais as discussões.

          Dentre as discussões do primeiro dia, vale destacar:

  •  A existência de crescimento do consumo de querosene de aviação de 1,8% por ano. Até 2030, o aumento da demanda do consumo desse combustível ocorrerá nos países da Ásia, Oriente Médio, América Latina e África.
  • A preocupação com a elevação no preço do querosene de aviação ao longo dos anos e o impacto nos custos das companhias aéreas, que buscam junto com as autoridades aeroviárias procedimentos que reduzam o consumo de combustível tanto em solo quanto durante a espera no ar de autorização para aterrissagem. A maior eficiência de combustão deve balancear o aumento do custo do combustível;
  • A redução do teor de Enxofre e das emissões de CO2 em um ambiente de alto preço de combustível foram apontadas como os principais desafios a serem enfrentados nesta década;
  • A previsão de redução do teor de enxofre nos países da Europa, nos EUA, Japão, Coréia do Sul e Austrália, de 0,3% para 0,005% até 2025 e na Ásia, Oriente Médio, América Latina e África para 0,035%. Em relação ao CO­2­, a Iata tem como meta reduzi-lo em 1,5% ao ano até 2020;
  • Os desafios da Aviação Civil Brasileira, dentre eles a melhoria da segurança operacional e a repressão a atos ilícitos na aviação civil, a ampliação e melhoria da infraestrutura aeroportuária, a redução de barreiras à entrada de novas empresas no setor, o aumento da quantidade de cidades atendidas pelo transporte aéreo regular de passageiros e carga, a formação de profissionais para a aviação civil, a redução da carga tributária sobre insumos como combustíveis, a redução dos impactos ambientais da aviação civil, o aumento da competitividade e diversidade da cadeia produtiva da indústria aeronáutica, a revisão do Código Brasileiro de Aeronáutica e o aperfeiçoamento da estrutura institucional dos órgãos e entidades ligados à aviação civil.

          O segundo dia foi dedicado ao tema biocombustíveis e combustíveis alternativos para a aviação, assim como os impactos ambientais promovidos pela aviação.

          Dentre as discussões do segundo dia, vale destacar:

  • O fato de que, desde as primeiras informações sobre aquecimento global e o aumento da temperatura do planeta, o setor de aviação passou a investir em pesquisa para a geração de energia alternativa, o que acarretou a entrada no mundo de aeronaves mais eficientes e combustíveis mais limpos. As apresentações foram focadas no desenvolvimento de novas tecnologias para aeronaves visando o aumento de eficiência e a diminuição de consumo, e nas iniciativas tanto do setor público como do setor privado ao redor do mundo para o desenvolvimento de rotas tecnológicas para a produção de biocombustíveis de aviação;

 

  • A apresentação por representantes da Icao, FAA, BID, Icone, ASTM e Embrapa sobre a disponibilidade de biomassas no mundo, as regras para certificação de um novo biocombustível e as iniciativas já aprovadas e em uso, enfatizando que em curto prazo os biocombustíveis drop in[1] serão aqueles com maior probabilidade de certificação, não descartando, entretanto, a viabilidade de uso de biocombustíveis non drop in em longo prazo;

 

  • As iniciativas em curso e os estudos em andamento na produção de biocombustíveis no mundo, conforme apresentado pelas instituições Abraba, Senasa e Sky Energy. No Brasil, pode-se citar o vôo experimental da TAM que ocorreu em 2010 utilizando 50% de bioquerosene, a partir de Jathopra, adicionado ao querosene de aviação e para este ano está previsto um vôo com a Azul em conjunto com a Embraer que utilizará combustível de aviação obtido a partir de cana-de-açúcar. Ademais, foi elaborado um projeto chamado de Sustainable Aviation Biofuels for Brazil em convênio entre Embraer, Fapesp e Boeing e que terá início este ano com diversos Workshops, com início em abril de 2012. O projeto tem como objetivo colaborar com o desenvolvimento de pesquisa na área de biocombustíveis de aviação no país

 

          O evento permitiu a ANP obter um conjunto de perspectivas expressivas do mercado internacional que demonstraram o interesse do setor em alcançar soluções para a mitigação das emissões de poluentes causadas pelos combustíveis fósseis e contribuirão para a construção da regulação atinente aos biocombustíveis de aviação.