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A Tribuna (Santos, SP) online

Seminário apresenta plano para recuperar armazéns do Valongo

Publicado em 26 abril 2012

O plano de construção de um hotel de luxo, um apart-hotel e um prédio comercial na região dos armazéns 1 ao 8, no Valongo, no Porto de Santos, será oficialmente conhecido amanhã, no Salão Nobre da Prefeitura de Santos. O anúncio integra a programação do Seminário Internacional – Revitalização de Áreas Portuárias e Integração Urbana, que começa hoje, no Teatro Guarany, na Cidade.

O evento é uma parceria da Prefeitura, da Codesp, da Secretaria de Portos (SEP) e do Banco Mundial.

A empresa Ove Arup & Partners, contratada pela Administração Municipal para a elaboração dos estudos de viabilidade da recuperação da área portuária, apresentará suas propostas. Caso seja aprovado, o empreendimento fará parte do programa de revitalização Porto Valongo Santos, que consiste na recuperação do local. A ideia é criar um centro de negócios, lazer e turismo na área dos antigos galpões do complexo santista.

“Com esta definição, seguiremos um modelo mundial, que é último elo para a revitalização do Centro Histórico de Santos, porque vamos eliminar uma região degradada da Cidade”, afirma o secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, Sérgio Aquino.

O estudo envolve todos os aspectos da região central de Santos. Características como as de mobilidade e mobiliário foram analisadas pela empresa contratada, com recursos do Banco Mundial.

O material que será apresentado nesta sexta-feira dirá, além do que será construído no local, as especificações técnicas do processo licitatório. As próximas etapas do projeto incluem audiências públicas, licenciamentos ambientais e licitações. A estimativa é que as concorrências sejam abertas, no máximo, até o início do próximo ano.

Exemplos

A construção de hotéis em áreas portuárias revitalizadas já deu certo em outras cidades. Em Barcelona, na Espanha, um dos principais empreendimentos hoteleiros da cidade foi erguido em uma região recuperada, a chamada Porto Vell. Outros projetos que deram certo na cidade espanhola serão apresentados no seminário.

Além de Barcelona, iniciativas desenvolvidas nas cidades de Marselha, na França, e Belém, no Pará, também serão apresentadas no fórum. O secretário da Junta de Governo de Santander, na Espanha, José Ramón Ruiz Manso, será responsável pela primeira palestra, às 8h30. Ele também é membro do comitê científico da Associação para Colaboração entre Portos e Cidades, que tem sede em Veneza, na Itália.

Em seguida, será a vez do diretor associado da Empresa Internacional de Planejamento, Projetos e Consultoria (Arup), Pablo Lazo. Já às 14 horas, o secretário de Cultura do Estado do Pará, Paulo Roberto Chaves Fernandes, destacará o projeto de revitalização Estação da Docas, desenvolvido no porto paraense. Com o empreendimento, a região de três armazéns e um terminal de passageiros foi revitalizada, no Pará. A extensão da área chega a 500 metros, na orla fluvial do antigo Porto de Belém.

As experiências de Marselha, na França, serão debatidas pela diretora-geral da Adéfrance Aménageus et Dévellopeurs em France, Chantal Guillet.

Ainda nesta quinta-feira, um debate irá tratar da implantação de marinas públicas nos projetos de revitalização e seus impactos. Os palestrantes serão o navegador Amyr Klink, o velejador Lars Grael e o engenheiro naval Manoel Chaves.

No encerramento das atividades desta quinta, serão discutidos os empreendimentos bem sucedidos de Barcelona, com o presidente do World Trade Center da cidade, Josep Munné Costa.

Docas prepara cessão à USP

A instalação de um centro de atividades educacionais e de pesquisas na área dos Armazéns do Valongo está perto de se tornar realidade. Isto porque o termo de cessão para a utilização do Armazém 8 pelo Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP) será assinado nos próximos dias.

De acordo com o diretor de Planejamento Estratégico e controle da Codesp Renato Barco, as negociações entre a estatal e a USP estão em fase final. Outro termo será assinado posteriormente com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), desta vez para a utilização da área do Armazém 7. A ideia é a criação de um pólo educacional na região dos galpões desativados, como parte do projeto de revitalização do local. As sucatas armazenadas na área dos antigos armazéns 5 e 6 serão catalogadas e algumas peças farão parte de um acervo portuário.

O convênio firmado com a USP vai propiciar a construção de um centro de pesquisas marítimas, que contempla a instalação de equipamentos que verificam correntes e todo o estudo técnico oceanográfico.

“Muita gente vai passar por ali é importante quando todo o processo de revitalização for concluído. Tudo ficará muito diferente do que é hoje”, destaca Barco.

Embarcaçao

Segundo Barco, o antigo navio de pesquisas oceânicas da USP, Professor W. Besnard, virará um museu e será uma das atrações do Armazém 8. Já a embarcação que irá substituí-lo, o Alpha Crucis, tem chegada prevista ao Porto para o próximo dia 10. Ele partiu Seattle, nos Estado Unidos, no dia 30 passado.

A embarcação foi adquirida pala Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para a USP, que ficará responsável pela manutenção e gestão do navio. A previsão é que o Alpha Crucis leve a capacidade de pesquisas oceanográficas a um patamar inédito no Brasil.

O País não tinha um navio oceanográfico civil em operação desde 2008, quando o professor W. Besnard, utilizado desde 1967, sofreu um incêndio e ficou sem condições operacionais de pesquisa.