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Brasil Econômico

Sementes do projeto genoma no Brasil

Publicado em 23 junho 2010

"Microsofts e googles não nascem todo mês." A frase de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), dá uma dimensão do que alguns esperavam e do que foi realidade depois do impulso dado à ciência nacional com o projeto genoma. Em 13 de julho de 2000, a conceituada revista científica inglesa Nature publicou, como artigo de capa, o estudo feito por pesquisadores brasileiros sobre o genoma da Xylella fastidiosa, bactéria que causava grandes estragos aos laranjais brasileiros.

Fazer a pesquisa levou dois anos, US$ 13 milhões e um "instituto virtual" que uniu 30 laboratórios, financiado pela Fapesp. Juntar todos os pesquisadores nesse instituto, reunindo especialistas em biologia molecular e informática, foi um dos grandes benefícios do projeto, na opinião do diretor científico da fundação na época, José Fernando Perez. No mesmo período, os dois grupos que faziam o sequenciamento do genoma humano anunciaram seu primeiro rascunho.

Depois do projeto da Xylella nasceram duas empresas bem-sucedidas, a Alellyx e a Canavialis, além da Scylla Bioinformática. Fernando Reinach, biólogo e um dos pais do projeto ao lado de Perez, e que até há pouco dirigia a Votorantim Novos Negócios, financiadora das duas novatas, lamenta que outras empresas de venture capital no Brasil ainda não se aventurem a investir em projetos ambiciosos ligados à ciência e à inovação. Daí a frase de Brito Cruz, para quem a criação de duas empresas já é um feito bastante avançado.

Quando foi anunciado o sequenciamento do genoma humano, realmente as previsões foram muito mais otimistas do que a realidade. Ainda não se conseguiu, no entanto, respostas certeiras sobre a causa de tumores e outros males, como relata em abrangente reportagem a jornalista Martha San Juan França a partir da página 4. Mas os pesquisadores brasileiros continuam a estudar formas de diagnóstico e tratamento para o câncer. Outros procuram por variedade de cana que produza mais etanol. A busca ainda não terminou. ¦