Notícia

Correio Popular

Sem trégua

Publicado em 05 junho 2019

A partir das cepas do vírus da dengue adquiridas dos institutos de saúde americanos (NIH), o Instituto Butantan de São Paulo desenvolveu uma formulação de vacina promissora (TV003) que pretende proteger contra os sorotipos 1, 2, 3 e 4 da dengue. Com indicação inicial para a faixa etária de 2 a 59 anos, a vacina já se encontra no estágio final da fase III de ensaios clínicos (testes em humanos), demonstrando eficácia de mais de 80%.

A fase III e final dos estudos começouem 2016. Ela é realizada em 16 centros de pesquisa clínica, distribuídos nas cinco regiões do País e envolverá, até o seu final, 17 mil voluntários. Nesta última etapa da pesquisa, o objetivo principal é demonstrar a eficácia da vacina.

O processo de recrutamento e vacinação em voluntários já foi finalizado para as faixas etárias de 7 a 17 e 18 a 59 anos, sendo mantido apenas na faixa etária de 2 a 6 anos de idade. Após a imunização com uma dose da vacina, os voluntários são acompanhados por umperíodo de 5 anos. Até o momento todos os voluntários seguidos não apresentaram reações adversas significativas, ou seja, a vacina tem se mostrado segura.

Nesse momento, é impossível estipularumprazo para a disponibilização da vacina à população, pois sua eficácia só pode ser comprovada com a exposição dos voluntários vacinados ao vírus, o que tem sido uma dificuldade, visto que, nos últimos anos, os registros de circulação do vírus diminuíram consideravelmente. Com o aumento da incidência da dengue, especialmente nos locais onde o estudo é realizado, esse processo pode ser acelerado e os ensaios clínicos, então, finalizados. Oprojeto para a vacina contra a dengue teve investimento total de R$ 224 milhões provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Fundação Butantan e do Ministério da Saúde.

Parceria MSD Emdezembro de 2018, o Butantan firmou com a farmacêutica norte-americana MSD,um acordo de colaboração tecnológica e em pesquisa clínica no desenvolvimento de vacina contra a dengue. Com a parceria, o Butantan receberá até US$ 101 milhões, além de royalties sobre as vendas da vacina desenvolvida pela empresa americana, que serão investidos em pesquisa e na produção de vacinas pelo Instituto.

O acordo pioneiro permite que as instituições compartilhem informações sobre suas pesquisas clínicas e fortaleçam seus programas contra a dengue. A troca de conhecimentos entre as duas partes deve agilizar e aperfeiçoar o processo de avaliação de eficácia e segurança de ambas as formulações imunobiológicas, uma vez que a prevalência de tipos de dengue é diferente no Brasil e nos EUA e, por isso, os estudos podem ser complementares.

Mitos e verdades sobre o mosquito

O medo de adoecer por causa da dengue leva as pessoas a utilizarem alguns métodos que nem sempre são eficazes para o combate ao mosquito. Por conta disso, vamos conhecer o que é verdade e o que é mito sobre a dengue: Basta secar os lugares onde tem água parada? Não adianta só secar os reservatórios de água parada. Tem de limpar também. O ovo do mosquito pode se manter viável por mais de um ano na água.

O mosquito da dengue pica apenas durante o dia? O mosquito pica principalmente durante o dia, mas se tiver oportunidade também vai picar à noite. É verdade que apenas a fêmea pica? Sim. Ela necessita do sangue em seu organismo para amadurecer seus ovos e assim dar sequência no seu ciclo de vida. Ela pode colocar até 500 ovos durante seu tempo de vida, que varia de 30 a 45 dias, tempo suficiente para picar até 300 pessoas.

Velas de citronela ou andiroba ajudam no combate ao mosquito? Não, pois esses recursos têm efeito temporário e indeterminado. O inhame e o complexo B ajudam na prevenção da doença? Não. As pessoas falam que principalmente o complexo B tem um cheiro muito forte e espanta o mosquito, mas não é verdade.

Tomar vitamina B para evitar a aproximação do mosquito não se mostra eficaz, uma vez que o efeito varia de acordo com o metabolismo da pessoa, podendo não repelir o mosquito. É possível distinguir a picada do Aedes aegypti da picada do mosquito comum? Não. A sensação de eventual coceira ou incômodo é igual a picada de qualquer outro mosquito.

A água de piscinas pode servir de criadouro para o mosquito? Depende. Se a água estiver bem tratada e com a concentração recomendada de cloro, o mosquito não se desenvolve. Já foi comprovado que a água com cloro e a água salgada funcionam como repelentes. Caso contrário, o mosquito pode se desenvolver sim. Aplicar borra de café na água das plantas e sobre a terra ajuda a combater o mosquito? Não.

A eficácia da borra de café não foi comprovada (já foi verificado na prática que a água suja de borra de café desenvolve a larva do mosquito) e a sua utilização não simplifica os cuidados recomendados que são: a eliminação de pratos junto ao vasos de plantas, a colocação de areia até as bordas dos pratos para eliminar a água e lavar pratos com buchas e sabão semanalmente. É verdade que o mosquito se reproduz mais rápido no calor? Quais outros hábitos do mosquito? Sim.

No calor, o período reprodutivo do mosquito fica mais curto e ele se reproduz com maior velocidade. Isso explica o aumento de casos da doença no Verão. O mosquito fica onde o homem estiver. Prefere picá-lo a qualquer outra espécie e gosta de água acumulada para colocar seus ovos. No período de Inverno a população está livre da doença?

Isso deve ser considerado um engano. Durante o frio, a larva entra no estado de hibernação e quando as chuvas e as altas temperaturas voltam, as larvas eclodem e há a contaminação novamente. Portanto, o trabalho de vistoria de quintais, terrenos baldios, estabelecimentos e outros locais, bem como, a busca e eliminação de criadouros do mosquito deve ser feito de forma rotineira. Oideal é usarumrepelente ou os inseticidas para evitar a picada do mosquito?

Precisamos ter bastante atenção quanto a isso. As duas opções podem ser utilizadas. No entanto, temos de lembrar que o uso desses recursos são soluções momentâneas que não resolvem realmente o problema da doença. Estamos apenas protegidos temporariamente. Quando termina o efeito do repelente, estamos novamente expostos ao mosquito.

Portanto, o ideal é atuarmos como vigilantes em nossa casa, no trabalho, na creche e na escola de nossos filhos e emoutros locais em que tivermos acesso. Temos de eliminar os criadouros onde o mosquito deposita seus ovos e se prolifera. É verdade que o mosquito não consegue atingir locais altos?

A fêmea se alimenta de sangue no início da manhã e mais no final da tarde, o que não impede que aconteça em outros horários. Quanto à capacidade de voo, sabemos que possui possibilidade de acesso a alturas como, por exemplo, chegar à caixa de água de sua casa, às calhas e terraços. Por sua vez, sua potencialidade de voo não atingiria um prédio de quatro andares.

No entanto, ele pode chegar a alturas mais elevadas considerando que o mosquito pode estar alojado em elevadores, embalagens materiais em geral, brinquedos, caixas de ferramentas e uma infinidade de outros recursos que podem conduzi-lo até a cobertura de qualquer edifício. Mas suas preferências ainda são as baixas alturas, tendo em vista que, sem fazer esforço, consegue alimentar-se e proliferar-se. Ar-condicionado e ventilador impedem as picadas do mosquito? Não.

O ar-condicionado pode impedir a entrada do mosquito, já que o ambiente está fechado. O que existe de verdadeiro nessa história é que, normalmente, o mosquito se direciona em função da liberação de gás carbônico, feita pelas vias aéreas. Então, pelo fato de o ventilador ou ar-condicionado estarem ligados, o gás carbônico fica mais diluído e impediria que o mosquito localizasse a vítima por conta disso. Colocar água sanitária na água ajuda a evitar as larvas? Ajuda.

É uma das principais medidas. Colocar uma colherzinha de água sanitária na caixa d’água, na piscina, nas poças de água ajuda a evitar as larvas. Todas as pessoas picadas pelo mosquito transmissor irão desenvolver a doença? Primeiro é preciso que o mosquito esteja contaminado com o vírus.