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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Sem convênio, Centro de Memória fecha

Publicado em 27 maio 2005

Por Thaís da Silveira, da redação
O espaço, administrado pela Unesp e RFFSA, está sem coordenador; reabertura depende de convênio

O Centro de Memória de Bauru (que já pertenceu à Universidade Estadual Paulista (Unesp)/Rede Ferroviária Federal) tem apenas 40% de sua documentação histórica disponível para pesquisa no local. O restante do material está guardado no câmpus da Unesp em estado bruto. Além disso, a entidade está temporariamente fechada.
A situação atual do Centro de Memória deve-se a dois fatores distintos. Um deles é a transição da coordenação da entidade, que durante 13 anos ficou a cargo do historiador João Francisco Tidei de Lima, professor aposentado da Unesp. Ele foi demitido (sem justa causa) em abril, inserido no grupo de 48 funcionários que tinham vínculo com a Fundação da Universidade Estadual Paulista (Fundunesp).
O pessoal teria sido demitido por ordem da Reitoria da Unesp porque os contratados pela fundação não são funcionários públicos e estavam trabalhando em órgãos públicos.
Quem deve assumir em breve o comando do Centro de Memória é o professor Nilson Ghirardello, do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (Daup) da Unesp. "A universidade está procurando regularizar isso, estabelecendo um vínculo dele com o Centro de Documentação e Memória da Unesp (Cedem). Ele ficaria encarregado de retomar a direção e colocar o Centro de Memória novamente em atividade. Isso está em processo", afirma Ana Maria Martinez Corrêa, responsável pelo Cedem.

Rede
A reabertura do Centro de Memória depende também de assinatura de novo convênio para que a Unesp continue com a guarda da documentação. O material, que pertencia à RFFSA, depois da Medida Provisória 246, de 6 de abril deste ano, passa a pertencer à União. O órgão responsável seria o Arquivo Nacional.
O convênio RFFSA entre a universidade e a rede para a guarda e manutenção do patrimônio, portanto, não existe mais e, para continuar responsável pela entidade, a Unesp deve assinar convênio com o Arquivo Nacional.
"O arquivo concede uma autorização para que as universidades possam cuidar disso. Ainda precisamos fazer um convênio para garantir essa custódia. Assim que o professor Nilson for nomeado, vamos cuidar disso", afirma Ana Maria.
O prédio que sedia o Centro de Memória, que também pertencia à Rede Ferroviária, está em situação semelhante. O órgão federal que ficará responsável por ele é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Portanto, também será necessária uma autorização do Iphan para uso do prédio. "Esperamos contar com a colaboração da Prefeitura de Bauru para conseguir isso e ter um aval do uso do edifício onde está o Centro de Memória", explica Ana Maria.
Somente após resolver tais pendências, a universidade poderá pensar em buscar recursos e pessoal para voltar a trabalhar nos 60% documentação histórica que estão parados em estado bruto.
"Para que as coisas se concretizem, é necessário ter uma equipe organizada de trabalho e vamos nos propor a isso. Uma das questões fundamentais para conseguir recursos externos é resolver esses problemas legais de autorização de uso e de custódia. A organização da primeira parte do arquivo nós só conseguimos com apoio da FAPESP, do governo e de empresas. Foi sempre com muita dificuldade, poucos funcionários e alguns estagiários", expõe a responsável pelo Cedem.
Em sua última fase à frente do Centro de Memória, João Francisco não contava com apoio de funcionários ou estagiários para trabalhar no arquivo bruto.
"O material em estado bruto precisa ser tratado. É uma riqueza muito grande. Quando as pessoas precisam dele, a gente vai ao local e utiliza. Ele está no câmpus da Unesp, relativamente em boas condições. Mas isso será um desafio para o Nilson. Ele é uma pessoa muito competente, que tem muita familiaridade com o assunto e eu acredito que fará um bom trabalho", destaca o historiador.
Ainda não há previsão de reabertura do Centro de Memória, mas João Francisco tem atendido aos pesquisadores que precisam acessar o material.
"Existe o interesse da universidade em cuidar disso. Assim que assumirmos a guarda da documentação, vamos nos organizar para enfrentar isso, colocar a documentação em ordem e segurança para atender os pesquisadores", garante Ana Maria.

Serviço
O Centro de Memória fica na quadra 1 da rua 1.º de Agosto, ao lado do Museu Ferroviário Regional. Agendamentos de visita ainda podem ser feitos com João Francisco Tidei de Lima pelo telefone (14) 9701-4111.

Acervo
O Centro de Memória de Bauru guarda farta e rica documentação sobre a história da ferrovia e sua intrínseca relação com a cidade. Está lá o acervo da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), cujos primeiros registros datam de 1904, como livros manuscritos, impressos, fotografias, além de mapas, gráficos e plantas de engenharia e arquitetura.
Lá, o usuário pode folhear todo o acervo da Associação Ferroviária 19 de Junho, do Sindicato dos Ferroviários, da Cooperativa Ferroviária, do Serviço de Proteção ao Índio (atual Fundação Nacional do Índio - Funai) e documentação da 23.ª Zona Eleitoral desde 1906.