Notícia

Jornal da Unesp

Seleção rigorosa

Publicado em 01 novembro 1996

Por Mônica Richter
Nos dois últimos anos a UNESP recebeu uma injeção significativa de recursos externos, da ordem de R$ 36 milhões, correspondente a quase 10% do orçamento de 19%. A verba extra-orçamentária foi utilizada na ampliação das redes elétrica e de abastecimento, modernização de laboratórios e biotérios, instalação de redes locais de informática e na compra de livros e equipamentos científicos. Graças aos recursos do Programa Emergencial de Apoio à Recuperação e Modernização da Infra-Estrutura de Pesquisa do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia, foi dado andamento a inúmeros projetos de pesquisa na Universidade, paralisados devido à falta de condições materiais. Criado em 1994 pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o programa conseguiu impulsionar diversas pesquisas no Estado. Nas duas primeiras fases, a Fapesp investiu cerca de R$ 200 milhões em 1.876 projetos de infra-estrutura apresentados pelos pesquisadores das estaduais paulistas, das universidades federais sediadas no Estado e também dos institutos de pesquisa. Nas duas fases, a UNESP conseguiu aprovar 497 projetos, ocupando o segundo lugar em volume de recursos liberados, atrás apenas da USP. Para a terceira fase do programa, a última prevista pela Fapesp, deverão ser destinados cerca de R$ 100 milhões. "Foram calculados inicialmente R$ 50 milhões para cada fase", explica o professor Francisco Romeu Landi, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da fundação. "Diante da demanda altíssima, a estimativa precisou ser revista". Em 30 de outubro último, foi encerrado o prazo para a entrega dos projetos do módulo 3, "Bibliotecas". Por intermédio da Reitoria da UNESP, foram encaminhados 30 pedidos para modernização de bibliotecas e implantação de redes de informática deste setor. O módulo 1, "Equipamentos especiais multiusuários", foi lançado no dia 1º de outubro. Os pesquisadores têm prazo de um ano para requisitar equipamentos multiusuários e de informática, voltados à pesquisa. Já os projetos de infra-estrutura para os módulos 2 e 4, "Redes Locais de Informática" e "Infra-Estrutura Geral", respectivamente, devem ser entregues até 30 de novembro. MAIS RIGOR Preocupada com as falhas de apresentação dos projetos e com o não cumprimento de normas, a Fapesp decidiu publicar, em agosto último, um conjunto de recomendações para orientar os pesquisadores na fase III do Programa. "É um manual de como não cometer bobagens", explica Landi. Batizado de "Os Mandamentos do Infra", o manual aponta os seis erros mais freqüentemente praticados pelos pesquisadores (veja quadro). De acordo com o diretor-presidente do CTA, muitos projetos encaminhados para a segunda fase tiveram sua análise prejudicada pelo fato de os pesquisadores não terem seguido à risca os critérios que norteiam a avaliação dos trabalhos. "O Programa de Infra-Estrutura tem como característica dar apoio ao desenvolvimento da pesquisa, e a fundação não vai financiar, por exemplo, propostas para infra-estrutura de atividades didáticas." Landi ressalva que, nas duas primeiras fases do programa, a UNESP foi bem contemplada com os recursos da Fapesp. "Apresentou propostas de bom nível", avalia. Na Universidade, a Assessoria de Relações Externas (Arex), juntamente com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, operacionaliza e, faz o acompanhamento das propostas encaminhadas pelos pesquisadores ao Programa de Infra-Estrutura. Na opinião da professora Lígia Maria Trevisan, assessora-chefe da Arex, nas duas etapas do Infra, o processo de captação de recursos foi extremamente eficaz. "A UNESP mostrou competência e os números provam isso", diz. Diante das exigências da Fapesp, Lígia acredita que nesta terceira fase o número de projetos encaminhados pela Universidade pode cair em relação à etapa anterior. "Os pesquisadores terão que atender rigorosamente às regras do edital de cada um dos módulos estabelecidos pelo Infra", diz. A continuidade ou não do programa, segundo Landi, vai ser decidida pelos integrantes do Conselho Técnico-Administrativo, provavelmente no primeiro semestre do próximo ano. Tânia Belickas