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Correio Popular

Segurança entra na sucessão da Unicamp

Publicado em 29 novembro 2001

Por MariaTeresa Costa - Do Correio Popular - teresa@cpopular.com.br
O primeiro debate reunindo os pré-candidatos a reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizado ontem, obrigou os reiteráveis a se manifestarem também sobre questões de Segurança, tema que pela primeira vez na história da universidade deverá fazer parte das plataformas de governo dos candidatos. No debate ontem, foi cobrado reiteráveis possíveis soluções para conter a violência dentro do campus e posições sobre as medidas adotadas pela atual reitoria. Dos cinco pré-candidatos, quatro compareceram ao primeiro debate, organizado pela Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp), Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), Diretório Central dos Estudantes (DCE) e Associação dos Pós-Graduandos (APG). O próximo debate organizado pelas entidades será realizado em março. A instalação de cercas ao redor da Unicamp, as rondas realizadas pela Polícia Militar dentro do campus, vigilância e os sistemas de câmeras instalados em várias unidades pela reitoria na tentativa de minimizar os roubos, furtos, assaltos e seqüestras são instrumentos polêmicos. A presença da PM é criticada por vários setores da universidade e ganhou mais rejeição com os recentes atritos entre policiais e dois professores do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Os policias se sentiram ofendidos pelos professores, registraram Boletim de Ocorrência e formalizaram uma reclamação junto à Prefeitura da Unicamp. O pré-candidato Fernando Galembeck, atual vice-reitor da universidade, lembrou que a violência não é exclusiva da Unicamp, mas que se repete em todo o País. Ele defendeu o envolvimento da comunidade acadêmica na busca de soluções, mas lembrou que não é possível pensar em abolir a Polícia. "Temos que procurar oferecer segurança aos que aqui estão, evitando constrangimentos", afirmou. O reiterável José Tomaz Vieira Pereira, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp), defendeu a criação de uma Polícia interna, com formação mais adequada para agir dentro da universidade. "Mas as soluções têm que vir da discussão com a comunidade", afirmou. O diretor do Instituto de Física, Carlos Henrique de Brito Cruz, defendeu a participação total da comunidade na solução do problema. "-Temos que evitar chegar ao ponto de chamar a Polícia e de construir cerca para isolar a universidade da comunidade. Temos que ter um plano de segurança e, ao invés da contratação de vigilância terceirizada, temos que ter nossa vigilância, formada por pessoas que conhecem as unidades", defendeu. O professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) Roberto Romano também defendeu o diálogo com a comunidade acadêmica para encontrar formas de melhorar a segurança na universidade. "Não podemos repetir a falta de respeito que verificamos recentemente. Entre a Polícia Militar, funcionários, professores e alunos eu prefiro pedir desculpas à comunidade acadêmica", afirmou. O professor estava se referindo a um pedido de desculpas feito pela reitoria à PM por atritos acontecidos entre dois professores e dois policiais militares dentro do campus. CINCO PRÉ-CANDIDATOS DISPUTAM REITORIA A sucessão do reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Hermano Tavares já tem cinco pré-candidatos para a consulta que será realizada em dois turnos: o primeiro, em 20 e 21 de março, e o segundo, em 3 e 4 de abril. Além dos docentes que já tinham lançado seus nomes, entraram em campanha essa semana o atual vice-reitor da universidade, Fernando Galembeck, e o professor da Faculdade de Engenharia Elétrica, Vitor Baranauskas - atualmente fora do Brasil. O diretor do Instituto de Física (IF) e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, o presidente da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp), José Tomaz Vieira Pereira, e o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Roberto Romano, lançaram-se em campanha. Até agora, apenas uma chapa tem candidato a vice-reitor definido, que é o diretor da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), Tadeu Jorge. Ele será vice de Brito Cruz. O ex-presidente da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp) e professor do Instituto de Química, Francisco Reis, desistiu de sua candidatura. Ele tinha parte do apoio da comunidade acadêmica ligada ao Partido dos Trabalhadores. Reis informou ontem que desistiu da candidatura por avaliar que não é o momento para se lançar e que não vai apoiar nenhum dos candidatos. "Nenhum deles se identifica com nosso projeto de universidade", disse. Nos bastidores da Unicamp, candidatos Roberto Romano, Fernando Galembeck e José Tomaz Vieira Pereira teriam o apoio da atual reitoria. Mas os três negam essa vinculação e afirmam que são independentes. Romano e Pereira, em manifestações anteriores, disseram que são críticos da atual reitoria. O vice-reitor Fernando Galembeck afirmou ontem que não é candidato da reitoria. "Há pessoas na reitoria que me apóiam como há também os que apóiam outros candidatos", explicou. (MTC) 400 PESSOAS PARTICIPAM DO DEBATE O primeiro debate entre os pré-candidatos a reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reuniu cerca de 400 pessoas no Centro de Convenções da universidade. Durante duas horas, quatro dos cinco reitoráveis presentes falaram sobre suas propostas para a universidade nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e administração. Com a mediação do diretor da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp), Adolpho Hengeltraub, e do coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Alan Carneiro, cada candidato teve cinco minutos para fazer as considerações iniciais e depois mais três minutos para responder as perguntas formuladas pelas cinco entidades promotoras do debate. No final, responderam a três perguntas sorteadas entre as formuladas por escrito pela platéia, composta por professores, alunos e funcionários. O próximo debate promovido pelas entidades acontecerá em março - mês em que será realizado o primeiro turno das eleições -, quando as candidaturas já estiverem formalizadas. O prazo para registro das chapas de candidatos a reitor e a vice-reitor é fevereiro. Mas outros debates, organizados pelas unidades universitárias, deverão acontecer até a eleição. (MTC)