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O Guaporé

Sedam divulga pesquisa sobre ocorrência de filariose em Porto Velho

Publicado em 07 dezembro 2007

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) apresentou esta semana o resultado preliminar dos exames realizados com os moradores das áreas de risco localizados nos bairros Triângulo, Baixa da União e Candelária para evidenciar a ocorrência da filariose (elefantíase). 600 pessoas foram examinadas.

Destas, 300 tiveram resultados negativos e as demais lâminas estão sendo analisadas na Universidade Federal do Alagoas, centro de referência internacional.

A iniciativa do projeto, é fruto de parceria da Sedam com a Secretaria Estadual de

Saúde (Sesau), Faculdade São Lucas (FSL), Associação de Moradores da Baixa da União e o Instituto de Ciências Biomédicas 5 da USP (ICB5/USP), fomentados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A filariose é uma doença milenar, causada por um verme (Wuchereria bancrofti) e transmitida de pessoa a pessoa pela picada do mosquito comum (Culex quinquefasciatus). No início da doença as pessoas não apresentam sintomas, porém, ao continuar sendo infectados pelas picadas dos mosquitos ao longo dos anos, pode apresentar a doença conhecida como elefantíase, caracterizada pela ocorrência de inchaço exagerado dos genitais e principalmente das pernas. O tratamento a base de drogas convencionais é eficiente apenas na fase inicial da doença e a cura é próxima a 100%.

De acordo com coordenador do projeto, Marcelo Aranha, foram capturados 3.210

mosquitos, sendo que em 80% dos domicílios foi encontrado o vetor (Culex quinquefasciatus), que transmite a doença. Os mosquitos capturados estão congelados a menos de 20ºc e armazenados no laboratório da Sedam, aguardando o momento oportuno para serem examinados pela técnica PCR (sigla inglesa que significa reação da polimerase em cadeia), para verificar se estão infectados pelo parasita causador da elefantíase.

O trabalho foi realizado em duas vertentes: a primeira focando os indivíduos portadores da parasitose, visando o tratamento, a redução de reservatório e de surgimento de formas graves. A segunda identificar a presença do vetor e verificar

se ele está carregando o parasita.

Segundo o coordenador do projeto, a partir de fevereiro do próximo ano, 500 casas e seus moradores, serão examinados em Guajará Mirim. Até julho de 2008, a meta é atingir duas mil pessoas e mais 500 casas em Porto Velho. "Nos anos 50, o pesquisador mineiro René Rachou encontrou 0,5% da população de Guajará Mirim, infectados com o verme e nunca mais foram realizados estudos sobre a doença".