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Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SP)

Secretário de Agricultura participa de evento sobre compostagem em escala industrial no IAC

Publicado em 06 outubro 2016

Por Paloma Minke

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, participou da cerimônia de abertura do “15º Encontro Técnico Internacional de Alto Nível”, em 6 de outubro de 2016. O evento reúne palestrantes do Brasil, Estados Unidos e Áustria para discutir a compostagem em escala industrial. O encontro, que será realizado na sede do Instituto Agronômico (IAC-APTA), em Campinas, até 7 de outubro de 2016, é organizado pela Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (AIDIS), Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-SP) e Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). O IAC é um dos apoiadores.

O objetivo do evento é discutir a reciclagem e o reaproveitamento de resíduos, seu impacto e importância estratégica para a solução de um dos maiores problemas ambientais contemporâneos. A compostagem é considerada uma das alternativas ambientalmente mais seguras e sustentáveis e atende a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A ideia é que o evento mostre a realidade da técnica da compostagem no Brasil e no exterior.

De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, a discussão é importante, pois, atualmente, se busca a utilização plena e o desenvolvimento de uma agropecuária harmônica com o meio ambiente. “Temos uma meta ambiciosa em São Paulo e no Brasil de reduzir os gases do efeito estufa e tratar os resíduos de uma forma que eles possam ser valorados e utilizados na produção agropecuária”, afirmou.

Jardim falou sobre duas ações da Secretaria de Agricultura na área. A primeira delas é um acordo de cooperação assinado pela Pasta, por meio do Instituto Agronômico, e a Prefeitura Municipal de Campinas para produção de compostagem a partir do lixo verde do município. A segunda ação é o processo de normatização da compostagem do Estado de São Paulo. “Até o final deste mês, teremos a nova norma de compostagem. Isso será encaminhado por meio de uma resolução, que terá a participação da Secretaria, para orientar e estimular os produtores rurais a utilizar a técnica”, afirmou. Um boletim técnico na área também deve ser lançado.

O diretor-geral do IAC, Sérgio Augusto Morais Carbonell, também falou sobre a parceria do instituto com a Prefeitura de Campinas e disse que o Instituto Agronômico e outras instituições de ciência e tecnologia da região estão desenvolvendo projetos na área. “O Agropolo Campinas-Brasil que reúne diversos institutos de pesquisa, universidade e iniciativa privada de Campinas tem discutido as tecnologias sustentáveis para melhorar a qualidade de vida da população. A reciclagem dos resíduos orgânicos é um dos trabalhos que serão realizados pelo Agropolo dentro do projeto de políticas públicas em bioeconomia, aprovado recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)”, disse.

Para Luiz Augusto de Lima Pontes, presidente da AIDIS, atualmente existe um interesse grande na reciclagem de alumínio, vidro e papelão, mas não na reciclagem dos resíduos orgânicos, depositados normalmente nos aterros sanitários. “Os aterros estão com suas capacidades exauridas. A compostagem é um método de reciclagem em que é possível transformar esses resíduos orgânicos em adubos para a agricultura. Com isso, se alivia os aterros e reduz a importação de fertilizantes químicos. Com a compostagem é possível ter um adubo de excelente qualidade a um custo muito mais baixo, além da técnica solucionar um problema ambiental bastante sério”, explicou.

O presidente da Abisolo, Clorialdo Roberto Lavrero, afirmou que o grande desafio na produção da compostagem é a tornar viável. “Para isso, é necessário o empenho da sociedade na separação do lixo, de políticas públicas governamentais e da iniciativa privada, que irá realizar o processamento para que esse produto seja usado no campo”, afirmou.

O evento reúne participantes de diversos Estados brasileiros, como João Carlos de Araújo Marques, secretário do Consórcio Intermunicipal Caiuá Ambiental (Cica), que atende 12 municípios do norte do Paraná. “Nosso interesse é buscar informações e fazer contatos para conseguir cumprir a lei federal 12.305/2010. A nova legislação proíbe que resíduos orgânicos sejam depositados nos aterros, então queremos trabalhar com a compostagem para resolver a questão”, explicou.

A Lei 12.305/2010 institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e determina que todas as administrações públicas municipais devem construir aterros sanitários e encerrarem as atividades dos lixões e aterros controlados, substituindo-os por aterros sanitários ou industriais, onde só poderão ser depositados resíduos sem qualquer possibilidade de reciclagem e reaproveitamento, obrigando também a compostagem dos resíduos orgânicos. O prazo estabelecido pela legislação se esgotou em 2014.

“O resíduo sólido domiciliar tem plenas possibilidades de ser reciclado e para isso é necessário a coleta seletiva. O grande desafio é expandir a coleta seletiva e conscientizar a população para separar a matéria orgânica, da madeira, do plástico e do lixo do banheiro. Esse ‘lixo da cozinha’ pode resultar em um excelente composto e pode ser completamente reciclado”, explicou Ronaldo Berton, pesquisador do IAC.

Por: Fernanda Domiciano