Notícia

Agência C&T (MCTI)

Secretaria Regional da SBPC em Goiás e Associação dos Docentes da UFG manifestam preocupação com anúncio de extinção da FAP do estado

Publicado em 16 novembro 2007

"Extinção da Fapeg leva Goiás de volta ao passado"

Leia a nota divulgada na quarta-feira e assinada por Carlos Alberto Tanezini, presidente da Adufg, e Reginaldo Nassar Ferreira, secretário regional da SBPC-GO:

"O anúncio da extinção da Fundação de Amparo à Pesquisa de Goiás (Fapeg) que será transformada em superintendência da Secretaria de Ciência e Tecnologia deixou a comunidade científica goiana e setores produtivos inovadores estarrecidos porque mais uma vez se constatou que, em pleno século 21, da busca da modernidade e de recursos humanos qualificados, Goiás ainda não alcançou o nível de consciência desejado sobre a importância do investimento científico e tecnológico e ainda não incorporou a ciência às suas tradições.

Se confirmado o fim da Fapeg, nosso Estado permanecerá como o único das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste sem uma entidade local de fomento. Estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que promoveram profundas reformas administrativas nos últimos anos, prestigiaram suas fundações por compreenderem seu papel estratégico.

A Fapemig (Minas Gerais) executou R$ 120 milhões no ano de 2006. Exemplo vizinho é o da Fapemat (Mato Grosso) que todo mês recebe R$ 500 mil para fomento à inovação e geração de conhecimento. E não é por acaso que SP concentra o maior PIB do Brasil já que, desde 1960, criou a Fapesp, cujo orçamento é da ordem de 1% de sua receita tributária.

A criação da Fapeg foi fruto de um movimento de décadas que uniu pesquisadores, professores, instituições científicas e associações de classe no esforço de fazer os gestores públicos e parlamentares compreenderem que uma política de incentivo permanente à pesquisa promove desenvolvimento a custos mais acessíveis.

Foi aprovada unanimemente pelos deputados estaduais, em 2005, e, caso sua extinção seja confirmada, o legislativo estadual de hoje também terá sua responsabilidade no processo de ruptura com a modernidade.

Goiás precisa de tecnologia para se tornar uma economia forte e as Universidades e demais instituições de pesquisa, aqui sediadas, abrigam 1,5 mil cientistas com alta qualificação e em condições de auxiliar o governo na solução de problemas nas áreas social, estrutural, ambiental, de planejamento e de desenvolvimento econômico.

Sem a Fapeg, o fomento à pesquisa perderá os aportes financeiros do governo estadual garantidos em sua Constituição e, em conseqüência, do governo federal, e de outras agências financiadoras, além de perder autonomia e credibilidade.

A instituição, que tem a missão de fomentar a pesquisa, também funciona como órgão de captação de recursos dos Ministérios da Educação, de Ciência e Tecnologia, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, da Saúde, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Pesquisa - CNPq. Investimentos que são muitas vezes superiores à contrapartida do Estado.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Goiás e a Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência em Goiás — SBPC /GO expõem sua preocupação, pois os debates acalorados que estão sendo travados na UFG e na comunidade evidenciam a fuga de cérebros e da juventude empreendedora e inovadora de Goiás.

Diante dessa realidade, esperamos que o governo não acate a proposta e, ao invés de extinguir, faça a Fapeg sobreviver, com autonomia administrativa e financeira, para que caminhemos para o futuro e não de volta ao passado."