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Jornal de Piracicaba

Secretaria desenvolve pesquisas para controle biológico de inseto transmissor do greening

Publicado em 22 agosto 2020

Por Governo do Estado de São Paulo

Pesquisas desenvolvidas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, por meio do Instituto Biológico (IB), buscam novas formas para o controle do psilídeo, inseto transmissor do greening (huanglongbing/HLB), a mais destrutiva doença da citricultura mundial. A estratégia do IB é utilizar inimigos naturais do psilídeo para o seu controle, fornecendo mais opções para as ações de manejo dos citricultores brasileiros.

Dados da Fundecitrus mostram que 20,87% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais possuem sintomas do greening, o que corresponde a cerca de 41 milhões de árvores contaminadas. Esse índice, de acordo com a Fundação, é 9,7% maior do que o de 2019, estimado em 19,02%.

Controle biológico

Os trabalhos do IB para desenvolvimento de opções de controle biológico do psilídeo ocorrem em três frentes: a seleção de cepas de fungos; o uso de joaninhas, inimigas naturais do transmissor da doença; e a seleção de ácaros predadores.

De acordo com José Eduardo de Almeida, pesquisador do IB, o instituto desenvolve pesquisas com uma empresa privada para o desenvolvimento de um produto inovador para o controle biológico do psilídeo. “Já isolamos três cepas de fungos que se mostraram eficazes para o controle do inseto. Uma biofábrica já iniciou a produção do produto, que deve estar no mercado em três anos”, afirma o pesquisador.

Segundo Almeida, o greening é uma doença de difícil controle. Não há no mundo cultivares de laranja resistentes a doença, conhecida também como dragão amarelo. As estratégias para controle são a erradicação das árvores de laranja contaminadas e o uso de defensivos agrícolas para eliminar o psilídeo, que por ser um inseto voador, precisa de muitas aplicações de produtos químicos, aumentando os custos de produção e causando impactos no ambiente.

Joaninha

Outro resultado importante do IB na área de controle biológico em citros foi a seleção de besouros de joaninhas predadores que se alimentam de ovos e formas jovens do psilídeo. Segundo estudo coordenado pela pesquisadora do IB Terezinha Monteiro dos Santos Cividanes, do Laboratório de Parasitologia Vegetal de Ribeirão Preto, as populações de joaninhas em pomar orgânico foram mais elevadas e a diversidade de espécies encontrada foi o dobro da observada no pomar com manejo convencional.

“Em laboratório, registrou-se que os coccinelídeos Cycloneda sanguinea, Cycloneda conjugata, Harmonia axyridis e Hippodamia convergens se alimentaram do psilídeo. Os resultados desse estudo comprovaram a relevância das joaninhas como agentes controladores do inseto-praga”, afirma a pesquisadora. O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Segundo Terezinha, uma tática recomendável ao agricultor consiste em reconhecer as joaninhas para conservá-las no pomar e também utilizar práticas para a atração desses inimigos naturais, como por exemplo a manutenção de plantas floríferas. “O manejo seletivo de inseticidas na cultura dos citros é relevante para a sobrevivência das joaninhas no pomar”, destaca.