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Secretaria de Agricultura recebe comitiva Internacional

Publicado em 27 agosto 2019

Por Lisley Silvério

A preocupação mundial por sistemas sustentáveis de produção animal com alta produção de biomassa e de biodiversidade tem integrado pesquisadores de diversas instituições internacionais de pesquisa para desenvolver práticas de consumo alimentar em pastagens heterogêneas. Para conhecer os trabalhos de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), recebeu pesquisadores de 12 países vinculados à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A AIEA é o fórum intergovernamental central da Organização das Nações Unidas (ONU) para a cooperação científica e técnica na área de uso de tecnologia nuclear, e em cooperação com a FAO – Organização para Alimentos e Alimentação, que atuam na área agrícola.

Os pesquisadores representantes da Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, China, Etiópia, Madagascar, Suécia, Uganda e Inglaterra estão discutindo os resultados iniciais do Programa de Pesquisa coordenado pela AIEA em que se espera desenvolver um método prático para prever a ingestão de alimentos pelos ruminantes em pastagens heterogêneas usando isótopos estáveis e NIRS (Near Infrared Reflectance Spectroscopy).

A visita faz parte da segunda Reunião de Coordenação de Pesquisas sobre Quantificação de Admissão e Seleção de Dieta de Ruminantes em Pastos Heterogêneos usando Isótopos Estáveis de Compostos Específicos, para discutir a seleção de dieta de ruminantes a pasto, em conferência da AIEA, realizada no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP) em Piracicaba.

No IZ, os pesquisadores visitaram a Unidade de Sistema Silvipastoril com Mogno, a Unidade Experimental de Forragicultura e Pastagens e o Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite, acompanhados por Waldssimiller Teixeira Mattos, Luciana Gerdes, Cristina Maria Pacheco Barbosa, Luiz Carlos Roma Júnior e Weber Vilas Bôas Soares, pesquisadores do IZ.

O pesquisador Waldssimiler falou sobre o Banco Ativo de Germoplasma (BAG-IZ), o qual possui dois mil acessos de plantas forrageiras, sendo 80% leguminosas, e apresentou o novo laboratório de Forragicultura. “O Laboratório ampliará a capacidade de análises do BAG-IZ, o único em maior diversidade de espécies forrageiras tropicais da América Latina”, ressalta.

Waldssimiler citou o projeto temático financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de são Paulo (Fapesp), que envolve projetos do IZ, com pasto consorciado, braquiária, estratégias de mitigação de gases do efeito estufa, juntamente com USP e Embrapa.

A pesquisadora Luciana Gerdes também explicou que o Laboratório recém-reformado e a nova estrutura para o BAG-IZ, investimento do PDIP-FAPESP, permitirão ampliar a parceria com empresas públicas e privadas e realizar pesquisas estratégicas com lançamento de novas cultivares. “A capacidade foi ampliada para novos estudos nas áreas de identificação e desenvolvimento de plantas forrageiras com potencial de mitigação dos Gases de efeito Estufa, resilientes em relação às mudanças climáticas, salientando-se a elevação de temperaturas e déficit hídrico, com eficiente uso de nutrientes e desenvolvimento de biotecnologias para utilização sustentável das pastagens, abastecendo com novos cultivares os projetos inseridos nos Sistemas Integrados de Produção Agropecuária do IZ”, detalhou.

Rogério Martins Maurício, professor da Universidade Federal de São João Del Rey, destaca que o mundo busca sistemas de alta produção de biomassa e alta biodiversidade. “No nosso caso todos esses aspectos estão correlacionados com o bem-estar animal em sistema sustentável de produção de ruminantes”, destaca.

O projeto visa quantificar a biomassa ingerida pelos animais, e quando se tem sistemas com várias espécies de forrageiras, esse passa a ser um grande desafio, e com o sistema Silvipastoril, onde se tem árvores, arbustos, gramíneas e leguminosas, pode ser o caminho para a sustentabilidade no Brasil e no mundo tropical.

Rogério considera a visita muito importante, já que parcerias são relevantes para o futuro da ciência. “A parceria entre o Cena-Usp, UFSJ e o IZ só fortalece esse trabalho, pensando não apenas nacionalmente, pois nesse grupo de trabalho temos o envolvimento de instituições internacionais de 12 países, com isso vamos nos fortalecer internacionalmente.”

“A proposta de trabalho recebe o direcionamento da FAO para contribuir para soluções de problemas como fome, mudanças climáticas e a produção animal sustentável, visando contemplar as exigências da Agenda Global para 2050”, ressalta Rogério.

Para o professor Adibe Luiz Abdala, pesquisador do Cena/Usp, o mais importante de todo trabalho está na produção animal amplamente sustentável. “A visita ao IZ colaborou para apresentar aos pesquisadores os sistemas de produção de pastagem no Brasil, há pelo menos dois países de cada continente que trabalham com produção de ruminantes a pasto e vão desenvolver este protocolo e metodologias em seus respectivos países.”

“Ninguém conhecia os Sistemas de Produção que o IZ disponibiliza, não faziam ideia das tecnologias geradas, pensam apenas que temos pastagens com braquiária, sem sustentabilidade”, destaca Abdala.

Abdala destaca a importância do projeto para o Brasil, pois é possível identificar “quanto e que forragens os ruminantes comem em um sistema integrado de produção alternativo à monocultura de braquiária, e qual a qualidade nutricional dessa dieta é imprescindível para que possamos propor aos legisladores alternativas para reduzirmos o desmatamento e promovermos a produção sustentável e segura de carne, leite e lã aos brasileiros”.

O médico veterinário Mario Geronimo Garcia Podesta, da Áustria, coordenador do Programa da AIEA, diz que elaborou um projeto para cinco anos de trabalho com um grupo de 12 países, buscando formas de avaliar a alimentação dos bovinos, quanto comem, a qualidade do pasto e a conversão alimentar, toda uma análise do ciclo do alimento em todas as regiões do mundo. “Daqui dois anos, reuniremos, possivelmente na China, para apresentação do relatório final dos cinco anos de projeto”, afirma Garcia.

Já a representante da Universidade de Lanzho, No Gou, gostou muito da visita, observando que a paisagem é totalmente diferente no Tibet e isso chamou muito a atenção. A pesquisadora vê dificuldades em manter um equilíbrio onde há somente monocultura nas pastagens, com uso de braquiária. “É difícil ter um sistema assim, nós temos muitas plantas para pastagens, são mais de 438 forragens em uma pastagem”, afirmou No Gou.

Adugna Tolera Yadeta, da Universidade de Hawassa, na Etiópia, disse ser a primeira vez que visita o Brasil e a América Latina, e que a interação com os pesquisadores foi muito importante. “Gostei demais do que vi aqui e fiquei muito impressionado com o profissionalismo desta Instituição de Pesquisa”, destacou.

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