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Secas na América do Sul podem aumentar até 2100, alertam cientistas

Publicado em 12 julho 2021

O fracasso do mundo em conter a mudança do clima pode colocar a América do Sul em uma situação particularmente delicada, com temperaturas médias até 4°C mais altas até o final do século XXI, com eventos climáticos extremos (como secas, inundações e incêndios florestais) mais frequentes e intensos.

Essa é a conclusão de uma pesquisa internacional que contou com a participação de cientistas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT). Os resultados foram publicados recentemente na revista Earth Systems and Environment .

Os pesquisadores analisaram o desempenho de 38 modelos climáticos globais que integram a fase 6 do Projeto de Intercomparação de Modelos Climáticos (CMIP6) do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança do Clima (IPCC). Os modelos foram avaliados a partir da capacidade de cada um em simular as observações históricas do período 1995-2014 e mudanças projetadas de temperatura e precipitação no continente sul-americano entre 2040 e 2059 e 2080 e 2099.

“As projeções feitas com os novos modelos climáticos apontaram que, dependendo do cenário, o sul da Amazônia, por exemplo, experimentará condição maior de seca”, observou Lincoln Muniz Alves, pesquisador do INPE e coautor do artigo. A Agência Fapesp deu mais informações.

Em tempo: Ana Lucia Azevedo escreveu n’ O Globo sobre os contrastes meteorológicos observados nas Américas nas últimas semanas. Enquanto a América do Norte enfrenta uma forte onda de calor, com temperaturas escaldantes, a América do Sul registra avanço de uma massa de ar frio, com capacidade para ultrapassar a linha do Equador e adentrar no hemisfério norte em pleno verão. “Este é o cenário que a ciência previu e infelizmente estamos vendo acontecer simultaneamente”, observou Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações e modelagem do Cemaden. “O que acontece nas Américas hoje dá uma amostra de para onde caminhamos”.