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Sebrae interrompe apoio a produtores de cachaça na região

Publicado em 11 setembro 2010

A unidade de Bauru do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) suspendeu os trabalhos de coordenação do grupo de produtores de cachaça na região de Jaú. A interrupção das reuniões periódicas esfriou um pouco o ânimo de alguns agricultores, mas boa parte deles está em processo de registro de seus produtos, o que possibilitará colocá-los no mercado e sair da informalidade.

O grupo é composto por cerca de 15 produtores artesanais de cachaça e contou, de 2007 a abril de 2009, com ações coordenadas pelo Sebrae. As reuniões e palestras eram promovidas em Dois Córregos, município que concentra o maior número de alambiques. A analista da entidade, Neuza de Moraes Müller, gestora de projetos na área de agronegócios, conta que nesse período muitos abandonaram a atividade e o escritório regional de Bauru resolveu suspender as ações. "Como não havia mais massa crítica, o projeto foi abortado e ainda não há planos de retomá-lo."

Enquanto perdurou o projeto, o Sebrae fez acompanhamento, prestou orientações sobre gestão de negócios, promoveu palestras, cursos e incentivou todos os participantes a registrar suas cachaças, de acordo com a legislação.

"Era um grupo heterogêneo, havia diferença de realidades", comenta Neuza. Segundo a analista, a maior dificuldade entre eles era justamente registrar o produto no Ministério da Agricultura, ação que requer diversas especificidades e investimentos financeiros consideráveis.

Em 2003, levantamento realizado por técnico do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI-Sebrae) mostrava que a produção total regional de cachaça era de 517 mil litros por ano. Mas atualmente não há informação a respeito de quanto se produz artesanalmente na região. "O sistema de produção está evoluindo, há membros daquele grupo participando de concursos da bebida e existe troca de informação constante", comenta a pesquisadora científica Elisangela Marques Jeronimo Torres, da unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).

Qualidade

O Laboratório de Tecnologia Agroindustrial da unidade em Jaú tem desenvolvido pesquisas com a produção de cachaça de alambique que envolvem a qualidade da cana-de-açúcar como matéria-prima. Segundo Elisangela, o próximo projeto a ser desenvolvido, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), terá por objetivo avaliar a composição química de cachaças produzidas com diferentes cultivares de cana.