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DCI

Scylla oferece técnica do projeto Genoma para reduzir custos

Publicado em 02 outubro 2002

Por Francisca Stella Fagá
Cruzar milhares de mudas de plantas, esperar pacientemente que elas cresçam, selecionar as melhores para então começar a produzi-las - as etapas convencionais do aperfeiçoamento de plantas podem, hoje, ser substituídas pelas novas ferramentas da bioinformática. Mas a maior parte das empresas que poderiam dar saltos de produtividade e economizar tempo e dinheiro com essas novas ferramentas ainda desconhece a sua existência. Vencer essa barreira é o primeiro desafio da Scylla Bioinformática, empresa criada há menos de cinco meses pelos cientistas que participaram do projeto de seqüenciamento do genoma completo da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da doença conhecida como "praga do amarelinho", que afeta boa parte dos laranjais paulistas. "O potencial de mercado no Brasil para esse serviço é enorme", diz João Meidanis, um dos fundadores da empresa. "Duro é explicar do que se trata" diz. Nos últimos meses, os cinco cientistas que fundaram a Scylla dedicam boa parte de seu tempo visitando empresas agrícolas e agropecuárias e indústrias farmacêuticas com a missão de mostrar os ganhos que podem ter se substituírem as técnicas tradicionais pelas modernas ferramentas de bioinformática. A missão de Meidanis e de seus sócios é mostrar que biotecnologia não se faz só nos laboratórios, mas em ensaios de computador. Os softwares produzidos pela Scylla para investigação de dados genômicos podem, por exemplo, levar ao desenvolvimento de plantas mais produtivas e mais resistentes n pragas. Podem também ajudar laboratórios a encontrar com mais rapidez moléculas capazes de combater doenças. A bioinformática, explica, ajuda a filtrar, com muita eficiência, as moléculas que de fato interessam à pesquisa e que se revelem mais eficientes. E permite organizar produtivamente os dados disponibilizados pela pesquisa genômica. A Scylla é uma das empresas incubadas que funcionam ao lado do compus da Universidade de Capinas (Unicamp), onde se concentrou o projeto do seqüenciamento do genoma da Xylella fastidiosa e onde se formaram os sócios da empresa. A sede, localizada na incubadora de empresas do Agente Softex, deverá permanecer ainda por dois anos na incubadora. Enquanto monta seu cadastro de potenciais clientes, que inclui também a Embrapa e outros centros de pesquisa, a Scylla vem conseguindo obter uma pequena receita, de cerca de R$ 20 mil mensais, com o desenvolvimentos de softwares para outras finalidades e a realização de cursos e palestras. A Scylla tem também apoio da Votorantim Ventures. João Meidanis concluiu doutorado em Bioinformática na Universidade de Wisconsin-Madison. Quando voltou ao Brasil criou o Grupo de Pesquisas em Biologia Molecular Computacional, parte do Instituto de Computação da Unicamp, que atraiu também se demais pesquisadores que fundaram a Scylla, como Zanoni Dias Marília Braga e Guilherme Telles. O seqüenciamento do genoma da Xylella fastidiosa realizado pelo Grupo de Pesquisas em Biologia Molecular Computacional começou em 1998, como apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).