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Scientists evaluate depression drugs as an aid in the treatment of covid-19

Publicado em 01 dezembro 2020

Currently, in the United States, two research groups carry out clinical tests evaluating treatment with fluoxetine and fluvoxamine in patients with covid-19 – Photomontage: Jornal da USP

O uso de uma classe de medicamentos já empregada no tratamento de transtornos de ansiedade e depressão, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (fluoxetina e fluvoxamina), demonstrou ter potencial para inibir a inflamação causada pelo vírus SARS-CoV-2 e a sua replicação, diminuindo os danos ao cérebro e outros tecidos do corpo. Atualmente, dois grupos de pesquisa realizam testes clínicos avaliando o tratamento com fluoxetina e fluvoxamina em pacientes com covid-19, nos Estados Unidos. A possibilidade é descrita em um artigo de revisão da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP publicado no European Journal of Pharmacology.

“A serotonina é uma molécula produzida por neurônios do sistema nervoso central e por células do intestino. Ela está envolvida em diversas funções do organismo, desde a regulação cardiovascular e intestinal até o controle de funções comportamentais, humor e memória”, relata ao Jornal da USP o professor Luiz Guilherme Branco, que coordenou a elaboração do artigo. “Inibidores de recaptação de serotonina são medicamentos que bloqueiam receptores específicos nos neurônios e permitem que a serotonina fique mais tempo disponível e exerça sua função biológica como neurotransmissor, ou seja, de fazer a comunicação entre os neurônios.”

De acordo com o professor, a “hipótese da serotonina” propõe, simplificadamente, que a depressão clínica resulta da atividade diminuída das vias serotonérgicas, isto é, dos neurônios que usam serotonina para transmitir informação entre si. “Por outro lado, medicamentos inibidores de recaptação de serotonina, como a fluoxetina, têm sido usados para o tratamento de desordens psiquiátricas, como ansiedade e depressão”, observa. “Eles aumentam a biodisponibilidade de serotonina na fenda sináptica, que é a região dos neurônios responsável pela comunicação do sistema nervoso central.”

“Devido à ausência de um tratamento específico para a infecção pelo vírus SARS-CoV-2 há um esforço global para encontrar novas intervenções terapêuticas usadas no tratamento da covid-19”, afirma Branco. “Como a serotonina tem diversos efeitos, tanto no cérebro como nos tecidos periféricos, sugerimos o uso potencial dessa classe de medicamentos não apenas no tratamento de transtornos de ansiedade e depressão, mas também como terapia complementar para diminuir a resposta inflamatória exacerbada induzida pelo SARS-CoV-2.”

Redução da inflamação

O professor aponta que uma característica importante da covid-19 é a ativação de células imunes, que leva à produção massiva e liberação de moléculas sinalizadoras do sistema imune (citocinas pró-inflamatórias) que podem comprometer vários órgãos, inclusive o cérebro. “Anteriormente, nosso grupo de pesquisa na FORP verificou que a administração da serotonina no sistema nervoso central tem efeitos anti-inflamatórios tão marcados que há redução dos níveis de citocinas pró-inflamatórias no sangue e ausência da queda da pressão arterial, geralmente observada durante quadros que envolvem inflamação sistêmica severa”, acrescenta.

Autores do artigo Luis Henrique A. Costa, pós-doutorando da FORP e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Bruna M. Santos, pós-doutoranda da FORP, e o professor Luiz Guilherme Branco – Foto: Acervo pessoal

A pesquisa propõe que os medicamentos sejam usados como um tratamento complementar durante a infecção por SARS-CoV-2. “A ação imunomoduladora direta da serotonina, associada a outros mecanismos indiretos, pode efetivamente reduzir a resposta imune exacerbada e prevenir complicações da covid-19”, destaca Branco. “Além disso, seria relevante considerar que os pacientes em terapia de longo prazo com inibidores de receptação de serotonina devem continuar o uso de seu medicamento quando hospitalizados devido à covid-19.”

Segundo o professor, já foi demonstrado que a fluoxetina inibe a infecção por SARS-CoV-2 in vitro, em testes de laboratório. “Seu efeito em pacientes, atualmente, é investigado em um ensaio clínico (NCT04377308) nos Estados Unidos”, destaca. “Outro medicamento dessa classe, a fluvoxamina, também está sendo avaliado nos Estados Unidos em pacientes com covid-19 (NCT04342663) e os resultados preliminares são animadores, com diminuição de complicações respiratórias quando comparado com quem recebeu o placebo”, conclui.

The effects of serotonin on the regulation of systemic inflammation and the potential benefits of using specific serotonin reuptake inhibitors as an adjunct therapy to mitigate covid-19 complications are described in a review article published in the European Journal of Pharmacology . The article’s authors are Luis Henrique A. Costa, a postdoctoral fellow at FORP and a fellow at the São Paulo State Research Foundation (Fapesp), Bruna M. Santos, a postdoctoral fellow at FORP, and professor Luiz Guilherme Branco .