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SciELO chega à África

Publicado em 23 agosto 2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP

A fim de otimizar o alcance global e o impacto potencial da pesquisa feita no país, a Academia de Ciências da África do Sul (Assaf) adotou a modalidade de acesso aberto por meio da plataforma SciELO (Scientific Eletronic Library Online) para a publicação de seus periódicos acadêmicos.

Em editorial publicado na edição desta sexta-feira (21/8) da revista Science, Wieland Gevers, chefe do Comitê de Publicações Acadêmica e ex-presidente da Assaf, explica por que o modelo foi escolhido para tornar mais visível em sistemas de busca e ferramentas bibliométricas o trabalho publicado em periódicos científicos locais.

O programa SciELO, criado em 1997 por meio de uma parceria entre a FAPESP e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), foi implantado até agora em outros sete países Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Venezuela, Espanha e Portugal.

O modelo conta também com duas coleções temáticas nas áreas de saúde pública e ciências sociais. Além da África do Sul, estão atualmente em fase de desenvolvimento bases de dados para coleções de Costa Rica, México, Paraguai, Peru e Uruguai.

No editorial da Science, Gevers, que é professor emérito de bioquímica médica da Universidade de Cidade do Cabo, afirma que a visibilidade internacional da pesquisa sul-africana deverá ter um salto com a adoção da plataforma. O projeto está em fase piloto de desenvolvimento com a cooperação da Bireme.

Gevers destaca dois objetivos principais da plataforma SciELO: indexar periódicos de alta qualidade, ampliando os títulos indexados na base do Instituto para a Informação Científica (ISI, na sigla em inglês) por meio de uma seleção com base em avaliações transparentes , e oferecer acesso livre global ao conteúdo dessas revistas.

Esse sistema já revelou a existência de periódicos locais e artigos altamente citados nas revistas indexadas na base ISI e também revelou periódicos e artigos que tiveram alto impacto no próprio sistema SciELO, afirmou Gevers.

Segundo ele, com apoio de governos locais e da comunidade internacional, será plenamente possível estender o modelo também para outros países africanos. Poucas iniciativas poderiam ter mais chance de oferecer tanto rendimento como esse, ao facilitar um sistema nacional e regional interconectado, com livre acesso e qualidade garantida, acrescentou.

Gevers conta que, dos 225 periódicos científicos sul-africanos, mais de 100 nunca tiveram seus artigos citados. A África do Sul ocupa uma posição paradoxal no contexto da publicação científica: o de ser, ao mesmo tempo, um gigante dentro do contexto africano e um anão na arena internacional, disse. A África do Sul já produziu nove prêmios Nobel, sendo quatro em áreas científicas.

O objetivo do Programa SciELO é aumentar a visibilidade de publicações científicas em revistas brasileiras e os resultados tem sido exemplares e reconhecidos por observadores independentes de entidades estrangeiras, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

As revistas que fazem parte do SCIELO tiveram seus artigos mais citados internacionalmente, gerando com isso benefícios para o desenvolvimento científico em São Paulo e no Brasil. Uma estratégia efetiva dos líderes do projeto tem sido a de abranger publicações de outros países, inicialmente ibero-americanos e, em seguida, da África. Tal estratégia aumentou ainda mais o valor de toda