Notícia

Jornal de Piracicaba

SBEE discute conhecimento tradicional

Publicado em 16 julho 2000

O "III Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia" será aberto às 18 horas de hoje, no Engenho Central em Piracicaba. O tema do evento é "Construindo pontes entre as ciências tradicionais e as ciências convencionais: desafios para o próximo milênio". O simpósio é promovido pela Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (SBEE), com o apoio da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), prefeitura de Piracicaba, Fundação Ford, Probio, Fapesp, CNPq e Unesp. A organização espera perto de 500 participantes entre pesquisadores e estudantes. As etnociências são uma proposta nova da pesquisa científica que visa entender e validar o conhecimento das populações chamadas tradicionais, como os índios, seringueiros, caiçaras, quilombolas, entre outros. De acordo com o presidente do simpósio, Virgílio Maurício Viana, as etnociências são um ramo novo que visa a reaproximação e o resgate do conhecimento popular, que as ciências tradicionais sempre desprezaram. "Sempre tratamos esse conhecimento como se fosse uma coisa folclórica ou pitoresca, mas nunca encaramos de maneira mais séria", explicou. A Sociedade Brasileira de Etnobiologia foi fundada em Feira de Santana (BA) há quatro anos, que lida com um campo da ciência relativamente novo, as etnociências. "São as ciências que tratam do saber das etnias, do saber das populações que têm o conhecimento tradicional sobre diferentes campos", explicou. As etnociências vêm ganhando espaço e adeptos na classe científica. Vianna explicou que há um interesse crescente no assunto, o que se reflete em publicações e eventos em todo o mundo. É um campo da ciência que tem muitas interfaces com muitas profissões. Não só profissionais das áreas de ciências humanas, como antropologia e filosofia, como também aqueles de ciências naturais, como agronomia e florestais", acrescentou. DO MATO - Na busca do saber tradicional, o simpósio abriu espaço para a participação de representantes de comunidades tradicionais, que vão relatar seu cotidiano e experiências. "A idéia é que a gente tenha nesse simpósio o doutor da floresta e dos mares falando, não só o cientista. Vamos ter representantes de diferentes etnias participando ativamente em pé de igualdade com os cientistas das universidades", explicou. Uma das participações confirmadas é Nilson Mendes, da reserva Chico Mendes no Acre, e Raimunda da Silva, uma representante da Associação das Mulheres Quebradeiras de Coco do Bico do Papagaio, no estado do Tocantins. Além de representantes de comunidades de pescadores, de quilombolas e índios guaranis. O evento ainda contará com palestras, minicursos, mesas-redondas e uma programação cultural relacionada com a valorização do saber e da cultura tradicional. Toda a programação está disponível na home-page: www.sbee.org.br Programação do Simpósio HOJE 14 horas - Inscrições 15 horas - reunião com representantes das populações tradicionais 18 horas - abertura: "Construindo pontes entre o saber científico e o saber tradicional" 21 horas - evento cultural "Encanto Caiçara", com Luiz Perequê, de Paraty (RJ) SEGUNDA-FEIRA 8 horas - Mesa redonda: "Relação entre conhecimento científico e tradicional" 9h40 - café cultural 10 horas - Mesa redonda: "Etnoecologia e novos paradigmas para o desenvolvimento rural sustentável" 12 horas - Almoço 14 horas - Mesa redonda: "Ética e bioprospecção" 15h40 - café cultural 16 horas - grupos de trabalho 21 horas - peça teatral