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SAÚDE: Butantan faz parceria com americana e projeta vacina da dengue em 1 ano

Publicado em 13 dezembro 2018

O Instituto Butantan e a farmacêutica americana MSD assinaram nesta quarta-feira (12/12) acordo de parceria para pesquisa e produção da vacina contra a dengue. Com o acordo, o Butantan irá fornecer informações sobre o imunizante que está em fase final de testes no Brasil e poderá receber até US$ 101 milhões.

Cepa - A cepa da vacina que é foco da parceria foi desenvolvida pelo NIH (Institutos Nacionais de Saúde), do governo dos EUA. O Instituto Butantan, laboratório ligado ao governo do Estado de São Paulo, e a MSD trabalham em vacinas contra a dengue que usam a mesma cepa, mas a do Butantan está em estágio mais avançado.

Patente - Em maio deste ano, o Butantan adquiriu a patente para produção da vacina nos EUA. O fármaco está sendo testado com 17 mil voluntários em 14 centros de pesquisa espalhados pelo Brasil. A expectativa é que a produção comece no fim de 2019. A comercialização e distribuição para a população depende do fim dos estudos, que não possui prazo definido.

Troca de conhecimento - No acordo de troca de conhecimentos firmado entre Instituto Butantan e MSD, a farmacêutica americana poderá acelerar seu processo de desenvolvimento do imunizante com as informações sobre os ensaios clínicos realizados pelo Butantan. O laboratório público brasileiro receberá pagamento antecipado de US$ 26 milhões e poderá receber mais US$ 75 milhões com novos marcos relacionados ao desenvolvimento da vacina, além de ter acesso a dados de testes da vacina em regiões do mundo onde a gigante farmacêutica atua, como países asiáticos.

Mesmo estágio - A partir do momento em que os ensaios clínicos dos dois laboratórios estiverem no mesmo estágio, cada um poderá produzir sua própria vacina, ficando em aberto a realização de novas parcerias. O Butantan continuará responsável pela fabricação e comercialização de sua vacina no Brasil. No futuro, o Butantan poderá receber royalties sobre as vendas da vacina da MSD no exterior.

Parcerias - O Butantan já possuía parcerias com a MSD para transferência de tecnologia para a produção de vacinas contra HPV e hepatite A. Mas, ao contrário da atual parceria, foi a farmacêutica americana que forneceu informações e conhecimento sobre a produção de imunizantes para o laboratório público brasileiro nos casos anteriores.

Perfil - "Essa é a primeira transferência com esse perfil feita entre um instituto brasileiro e uma empresa farmacêutica global no desenvolvimento de uma vacina. A relação se inverteu, antes era Norte-Sul, agora é Sul-Norte", disse Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan. Para Roger Perlmutter, presidente global de pesquisa clínica da MSD, o acordo "reflete o tremendo progresso que os cientistas e médicos do Instituto Butantan fizeram até agora".

Corrida pela vacina contra a dengue - Há hoje uma corrida entre laboratórios públicos e privados para desenvolver uma vacina segura e eficaz contra a dengue, a ser produzida em larga escala.

Há quatro sorotipos do vírus da dengue, que são transmitidos pela picada do mosquito Aedes aegypti. A doença é endêmica em mais de 110 países diferentes, principalmente em regiões tropicais da Oceania, África, Caribe e América.

Imunização - Quem é infectado por um dos quatro sorotipos do vírus fica imunizado contra aquele determinado sorotipo, podendo contrair a doença se contaminado pelos outros três. A segunda infecção pela doença tende a ser mais grave.

Primeira - A primeira vacina do tipo a chegar ao mercado foi a Dengvaxia, da empresa francesa Sanofi Pasteur, que acabou sendo contraindicada para quem nunca teve dengue na vida. A eficácia global da Dengvaxia é de 66%, considerada baixa por especialistas.

Fase mais adiantada - As vacinas da japonesa Takeda e do Instituto Butantan (feita a partir da cepa da NIH) são as que estão em fase mais adiantada de testes. Ambas prometem superar a Dengvaxia oferecendo proteção mais eficaz e sem contraindicações.

Vacina do Instituto Butantan - A vacina do Instituto Butantan é feita com vírus atenuados e protege contra os quatro tipos existentes da doença. Dados preliminares indicam que a vacina do Butantan é segura para pessoas de 2 a 59 anos, inclusive as que nunca tiveram a doença anteriormente, induzindo o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro sorotipos.

Eficácia - De acordo com Alexander Preciso, diretor de Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância no Instituto Butantan, a eficácia esperada da vacina é de mais de 80% e seria garantida com apenas uma dose. Os estudos definitivos, contudo, ainda não foram concluídos.

Recursos - O desenvolvimento da vacina no Brasil já teve investimento no Brasil de R$ 224 milhões, oriundos da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa), do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), da Fundação Butantan e do Ministério da Saúde.

Registro - Terminada a etapa de testes clínicos, poderá ser feito o pedido de registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão responsável pela autorização da aplicação da vacina no país.

Queda - Anunciado em 2015, o imunizante foi inicialmente prometido pelo então governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) para 2017. A queda do número de casos da doença no País impediu a aplicação do imunizante nos grupos voluntários, atrasando o estudo. A promessa do governo do Estado previa ainda a construção de uma fábrica para a produção das doses, que deveria estar pronta no fim do ano passado, mas que também não foi concluída na data estimada. A nova previsão é para 2019.

Vacina da Sanofi - A Sanofi revelou em novembro que a Dengvaxia - a primeira vacina contra a dengue desenvolvida no mundo - pode aumentar o risco de doenças graves em pessoas que nunca foram expostas ao vírus. A vacina, indicada apenas para quem tem entre 9 e 45 anos, possui eficácia global de 66%.

Mercado - A vacina continua presente no mercado. Contudo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) diz que a Dengvaxia não deve ser aplicada em quem ainda não teve dengue, ou seja, indivíduos soronegativos.

Estudos - De acordo com a Anvisa e a OMS, estudos feitos pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, fabricante da vacina Dengvaxia, mostram que a vacina provoca aumento do risco de dengue severa e de hospitalização em quem nunca teve a doença. (UOL)