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Folha de Cuxá

SAÚDE: Brasileiros criam curativo à base de abacaxi

Publicado em 01 julho 2018

Cientistas brasileiros desenvolveram um curativo anti-inflamatório associando uma proteína do abacaxi – bromelina – com celulose produzida por bactérias (nanocelulose bacteriana). O estudo foi publicado no jornal Scientific Reports, do grupo Nature. O curativo tem uma forma de gel e pode ser usado como um anti-inflamatório cicatrizante de ferimentos, queimaduras e feridas ulcerativas. Isso porque a bromelina tem a propriedade para quebrar moléculas em proteínas – tanto que é usada como amaciante de carne -, fazendo o processo de remoção de células mortas, limpando a ferida e acelerando a cicatrização. “Quem tem ferimentos graves sabe muito bem a diferença que faz um bom curativo. Ele precisa criar uma barreira contra microrganismos, evitando contaminações, e também ser capaz de propiciar atividade antioxidante para diminuir o processo inflamatório de células mortas e pus”, afirmou a pesquisadora Angela Faustino Jozala, coordenadora do Laboratório de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos da Uniso e uma das autoras do estudo. Para chegar ao resultado do curativo anti-inflamatório, foram feitos testes em laboratório, submergindo, durante 24 horas, as membranas de nanocelulose bacteriana em solução de bromelina. Com isso, pôde ser notado um aumento de nove vezes na atividade antimicrobiana da nanocelulose. Ademais, também foi criado uma barreira que potencializou a atividade proteica e outros mecanismos importantes para a cicatrização, como o aumento de antioxidantes. “Uma pele não íntegra tem como maior problema a contaminação. O paciente fica suscetível a ter uma infecção seja em casos de queimaduras, ferimentos ou feridas ulcerativas. A bromelina cria essa barreira tão importante. O que fizemos em nosso estudo foi potencializar, com a bromelina, a ação cicatrizante dessa nanocelulose que já estávamos produzindo na nossa plataforma de bioprodutos”, explicou a pesquisadora. Enquanto a bromelina tem a capacidade de limpar o tecido necrosado do ferimento, formando uma barreira protetora, a nanocelulose bacteriana substitui temporariamente a pele, sendo usada como um curativo no tratamento da lesão, aliviando a dor e protegendo contra infecções. “Estávamos produzindo nanocelulose bacteriana, no entanto queríamos ampliar os poderes curativos do produto. A partir de uma reunião com o grupo da Unicamp, que já extraía a bromelina usando cascas da sobra da indústria de polpa, vimos que a junção tinha futuro”, apontou a pesquisadora. O estudo foi feito em uma parceria de pesquisadores da Universidade de Sorocaba (Uniso) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), contando com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).