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Correio Popular

Satélites avaliam evolução agrícola

Publicado em 18 janeiro 2004

Satélites são corpos celestes que gravitam em torno de outros, como faz a Lua em torno da Terra. Satélites artificiais são engenhos postos em órbita que podem girar em torno de um planeta, satélite natural ou do Sol, ou podem ainda aproveitar o movimento dos planetas, encaixando-se na classificação de geoestacionários. Eles chegam ao espaço em foguetes propulsores, com fins de pesquisa, comunicação e informação. Há uma variedade muito grande de tipos de satélites. Os usados para comunicação, por exemplo, se situam a uma altitude de aproximadamente 36 mil quilômetros sobre um ponto do Equador. Eles acompanham o movimento de rotação terrestre e retransmitem sinais eletromagnéticos, como, como as ondas de rádio e tevê, de um ponto da Terra a outro, na velocidade da luz. Outra família de satélites bastante conhecida é o GPS (Sistema de Posicionamento Global), muito usado na agricultura, em navegação aérea e marítima, por pilotos de rali, arqueólogos, geólogos etc. A Embrapa Monitoramento por Satélite faz uso de algumas dessas estações de transmissão, sobretudo para fins agrícolas. "Nosso trabalho é ver em que situações o satélite pode ser usado", afirma o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, Ivo Pierozzi Júnior. "Com satélites podemos ver a evolução da agricultura, a dinâmica da superfície de dez, 15 anos para cá." Segundo Pierozzi, estima-se que desde o lançamento dos primeiros programas espaciais com satélites já tenham sido enviadas 3 mil estações ao espaço. "Muitos desses satélites são usados para comunicação (Internet, telefonia, tevê), outros, para geoposicionamento, meteorologia. Cerca de 200 servem para análise ambiental e, destes, trabalhamos com dez, por facilidades operacionais, técnicas e financeiras", diz o pesquisador. Hoje, o mais usado pela equipe da Embrapa é o Landsat (Land Remote Sensing Satellite), fabricado nos Estados Unidos. Mundialmente conhecida por sua eficiência e precisão nas aplicações de identificação, delimitação e mapeamento da superfície terrestre, a série é muito usada na agricultura, para elaborar zoneamentos, mapas temáticos e planejamentos. "É, literalmente, olhar o problema de fora, de cima, e tentar ajudar a resolver." Mão na massa Há 20 anos, cerca de 450 pequenas propriedades rurais de Machadinho d'Oeste (RO) têm sido acompanhadas sistematicamente por imagens de satélite. Os dados são validados com os levantamentos de campo realizados a cada três anos por uma equipe multidisciplinar. O estudo leva em conta 250 variáveis socioeconômicas e ambientais para caracterizar o impacto ambiental dos sistemas de produção. "É uma contribuição para a sustentabilidade agropecuária", afirma Pierozzi. Esse é um dos projetos desenvolvidos pela equipe de Monitoramento por Satélite. Por meio dessas estações, a instituição já fez o zoneamento ecológico e econômico do Estado do Maranhão; controla a expansão das áreas irrigadas do Oeste da Bahia; apóia decisões de gerenciamento e gestão ambiental estratégica, orientando políticas públicas com base em conjunto de informações organizado; monitora as queimadas e desenvolve outros projetos que podem ser acessados pelo www.cnpm.embrapa.br. A unidade é, ainda, uma das instituições integrantes do projeto temático Diagnóstico Ambiental da Agricultura em São Paulo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). De acordo com o chefe-geral da unidade, Ademar Ribeiro Romeiro, com o auxílio dessas estações será possível avaliar os impactos ambientais da agricultura no estado e desenvolver metodologias para mensurar essas transformações. Entre outras abordagens, o projeto avalia o uso e ocupação do solo e a dimensão dos impactos físicos, químicos e socioeconômicos provocados pela atividade agrícola. O projeto tem o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "O estudo ainda tem uma interface com o projeto Biota (Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo, da Fapesp), pois estudamos os vetores que ameaçam a existência de áreas de proteção ambiental remanescentes", diz Romeiro.