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Sarney diz que morte de Mindlin é "perda extraordinária"

Publicado em 28 fevereiro 2010

Informado pelo Terra sobre a morte do bibliófilo José Mindlin, o presidente do Senado e membro da Academia Brasileira de Letras, José Sarney, ficou consternado. Por meio de sua assessoria de imprensa, o político emitiu uma nota de pesar.

"É uma perda extraordinária, Mindlin era um homem que tinha amor pelos livros maior que todos os amores. Um grande incentivador da cultura brasileira, um homem de talento, inteligência e cultura. Perde o Brasil não apenas um intelectual, mas uma vida exemplar de devoção aos valores mais altos do espírito."

Outro político a manifestar condolências, por meio de nota, foi o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM). "José Mindlin foi um gigante da cultura brasileira. Como todo grande homem, deixa um grande legado, que é a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, o resultado de uma vida dedicada aos livros, que por sua generosidade hoje é um patrimônio de todos os brasileiros."

O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) comentou o falecimento pelo Twitter. "Lamento muito a morte do bibliófilo José Mindlin, um homem que dedicou sua vida à leitura e aos livros..."

O empresário morreu neste domingo, aos 95 anos. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.Mindlin ficou famoso por doar sua biblioteca pessoal para a USP Universidade de São Paulo , em 2009. Até então o empresário era tido como o maior colecionador particular de livros do País. Segundo a ABL, Mindlin era o quinto ocupante da cadeira 29, eleito em 20 de junho de 2006, na sucessão de Josué Montello.

Biografia

Mindlin nasceu em São Paulo em 8 de setembro de 1914. Formado em direito pela Universidade de São Paulo, foi redator do jornal O Estado de S. Paulo de 1930 a 1934 e advogou até 1950, quando fundou e presidiu a Metal Leve.

Foi casado com Guita Mindlin, que morreu em 25 de junho de 2006. O casal teve quatro filhos: a antropóloga Betty, a designer Diana, o engenheiro Sérgio e a socióloga Sônia.

Mindlin foi membro do Conselho Superior da FAPESP (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo ) de 1973 a 1974 e de 1975 a 1976, diretor do Conselho de Tecnologia da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo ) e secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, quando estruturou a carreira de pesquisador. Fez parte do CNPq (Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia ), do Instituto de Pesquisa Tecnológica, e da Comissão Nacional de Tecnologia da Presidência da República, entre outras entidades.

Mindlin recebeu ainda diversas premiações, entre elas, em 2003 o prêmio Unesco Categoria Cultura; a Medalha do Conhecimento concedida pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras; e, em 1998, o prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano.

O casal formou uma das mais importantes bibliotecas privadas do País, que Mindlin começou a formar aos 13 anos e chegou a ter 38 mil títulos. Em maio de 2006, o casal fez a doação de cerca de 15 mil obras da Biblioteca Brasiliana para a USP. No conjunto doado, constam raridades como documentos do século XVI com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência e manuscritos que resgatam a gênese literária de grandes obras, como Sagarana, de Guimarães Rosa, e Vidas Secas,de Graciliano Ramos.

É o autor de Uma Vida entre Livros - Reencontros com o tempo e Memórias Esparsas de uma Biblioteca e lançou em 1998 o CD O Prazer da Poesia