Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

São Paulo

Publicado em 01 março 2006

O aniversário de 17 anos do Memorial da América Latina, que será comemorado no próximo dia 18 de março, representa um marco para a instituição. A data simboliza o fim de um período de reformas que começou em setembro do ano passado e que resultou em uma nova roupagem para todos os pavilhões. Ao custo de R$ 2,2 milhões, as obras incluíram instalação de novas luminárias, pintura e recuperação de espaços que estavam degradados.
Projetado pelo arquiteto Oscar Niemayer, o Memorial andava um pouco esquecido nos últimos anos. Ele também tinha perdido a sua vocação, que era a de priorizar eventos que tivessem como temática central a cultura da América Latina e as relações econômicas, políticas e sociais do Brasil com o continente. "Agora o local voltará a estar sintonizado com sua idéia original", garante Fernando Leça, presidente do Memorial.
Seminário com líderes do Brasil, Chile e Argentina
Para reforçar a afirmação, Leça cita os eventos sobre a realidade latino-americana, que acontecem desde o início de fevereiro. "No dia 7, tivemos um seminário com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e, no dia 14, com o ex-presidente argentino Eduardo Duhalde". O próximo a vir será o presidente do Chile, Ricardo Lagos, ainda sem data confirmada.
No entanto, o grande evento programado para o mês é uma exposição sobre os 50 anos da morte de Carmen Miranda, a cantora brasileira — de origem portuguesa — de maior projeção internacional em todos os tempos. Os visitantes poderão apreciar os vestidos, balangandãs e sapatos de saltos gigantescos que fizeram a fama de Carmen no Brasil e no mundo.
O mês de março também ficará marca do pela assinatura de um acordo entre o Memorial, as três universidades estaduais paulistas (Universidade de São Paulo, Universidade de Campinas e Universidade Estadual Paulista) e órgãos privados para a criação de uma rede de ensino especializada na América Latina. "Traremos bolsistas de universidades latino-americanas para cursos que terão duração de.seis meses", diz Leça.
Em 2005, o Memorial recebeu 465 mil visitantes, a maioria deles oriundos de excursões escolares. Segundo Leça, a instituição também recebe muitos turistas estrangeiros, principalmente da Ásia. "Quase todos os eventos são gratuitos", afirma Leça. Essa é a explicação para o bom número de visitantes, apesar da programação escassa dos últimos anos.
Como durante a reforma apenas um setor do Memorial foi fechado, o número de visitantes se manteve estável nos últimos meses. O espaço que foi interditado é o Pavilhão da Criatividade, onde ficam expostas quatro mil peças originárias da América Latina. O Pavilhão já foi reaberto.
O auditório Simon Bolívar, com capacidade para mais de 1,6 mil pessoas, também foi reformado, assim como o Salão de Atos Tiradentes. "No local, uma tela gigante do pintor Cândido Portinari lembra o herói da Inconfidência Mineira", afirma Leça. Outras duas telas de 25 metros cada uma relembram a formação da América Latina. O Salão de Atos é destinado, em dias especiais, a solenidades e recepções oficiais do governo do Estado de São Paulo, especialmente aquelas ligadas às questões do continente.
Já a biblioteca latino-americana Victor Civita, também reformada, possui 30 mil livros sobre o continente e dois mil filmes ligados à região. O espaço tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Na entrada do Memorial, será instalada uma escultura da artista plástica italiana Maria Bonomi. Leça não quis fornecer detalhes sobre a obra. Quer surpreender os visitantes.