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São Paulo testa celular que controla glicose no sangue de diabético

Publicado em 11 abril 2012

Diabéticos atendidos pelo Hospital das Clínicas de São Paulo estão testando um sistema inédito que usa o celular para controlar a taxa de glicose no sangue. O programa eletrônico instalado no telefone permite calcular com precisão a dose de insulina que deve ser aplicada antes de cada refeição.

O diabetes é uma doença caracterizada por problemas na produção ou na ação da insulina, hormônio do pâncreas que faz com que a glicose chegue às células e se transforme em energia.

A doença é mantida sob controle com a administração de insulina artificial, que impede o excesso de glicose no sangue. O grande desafio dos diabéticos é determinar com precisão a quantidade de insulina a ser aplicada.

De acordo com médicos endocrinologistas, é comum que os pacientes cometam erros na hora de calcular os carboidratos. Acabam tomando insulina demais ou de menos, o que prejudica o controle da doença.

Com o sistema em teste no Hospital das Clínicas, o diabético não precisa fazer contas. Ele faz a seleção de seu cardápio --no celular-- numa lista com 600 alimentos e as respectivas medidas (colheres, copos e fatias, por exemplo). A quantidade de carboidratos é calculada automaticamente. Em seguida, digita o nível de glicose no sangue (o furinho no dedo continua sendo necessário). O programa leva em consideração a hora do dia e até o tipo de insulina usado. O índice de insulina a ser aplicada aparece no visor.

A endocrinologista Karla Melo, que coordena os testes, afirma que outra vantagem do sistema é o fato de todos os dados do celular serem automaticamente transferidos para um prontuário eletrônico, ao qual apenas o médico do paciente tem acesso.

O software GlicOnline foi desenvolvido numa incubadora de empresas da USP (Universidade de São Paulo) e recebeu R$ 500 mil da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A intenção dos criadores do sistema é que chegue ao mercado ainda nos primeiros meses deste ano e que seja adquirido principalmente por operadoras de planos de saúde. O preço de cada licença está estimado em cerca de R$ 25.

Fonte: Folha de S.Paulo