Notícia

Gazeta Mercantil

São Paulo terá previsão do tempo mais precisa

Publicado em 26 julho 2000

Por Luciana Franco - de Campinas
Um novo sistema de monitoramento climático a ser implantado em São Paulo ainda este ano promete revolucionar os atuais modelos de previsões meteorológicas e reduzir sensivelmente os prejuízos agrícolas no estado. Trata-se do Sistema Integrado de Monitoramento e Previsão Hidrometeorológica do Estado de São Paulo (Sihesp), orçado em US$ 15,6 milhões, que vai integrar o Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (USP), o Centro de Ensino e Pesquisas em Agricultura-Cepagri, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e o Instituto de Pesquisas Meteorológicas, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Bauru, proporcionando maior agilidade ao monitoramento e previsões meteorológicas. Com o sistema, somente a economia com a aplicação em defensivos agrícolas é estimada pelos técnicos em US$ 80 milhões por ano. Os investimentos na instalação da parte tecnológica que vai integrar o novo serviço meteorológico serão viabilizados peio governo estadual e pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), que vinculou a liberação dos recursos à apresentação de projetos de pesquisa. "Estamos recebendo projetos de diversas instituições e em IS dias definiremos os contemplados", diz Hilton Silveira Pinto, diretor do Cepagri. O programa tem três princípios básicos. Um deles é reduzir os erros na previsão de temperatura, chuvas e ventos, que se situam em 20%. "Ou seja, de cada de cinco previsões uma é errada." Além disso, também será possível diminuir a área de objeto da previsão, dos atuais 40 quilômetros por 40 quilômetros, para 5 quilômetros por 5 quilômetros, e aprimorar a previsão de volumes de chuvas e oscilação de temperaturas, reduzindo os intervalos entre as previsões. "Poderemos, por exemplo, prever volumes de precipitações com mais precisão." Será criado um sistema automatizado, que permitirá observações dos principais elementos atmosféricos a cada 15 minutos por 120 estações meteorológicas espalhadas pelo estado. Além de proporcionar maior comunicação entre as instituições envolvidas, o Sihesp possibilitará sensível redução nos prejuízos agrícolas de São Paulo, causados por adversidades climáticas, e garantir economias bastante significativas aos agricultores que considerarem relevantes as orientações meteorológicas em suas atividades. Para se ter uma idéia, o projeto viabilizará a emissão diária de mapas com as condições climáticas atualizadas e previsões para aplicação na agricultura com dois dias de antecedência, além de boletins agrometeorológicos, incluindo condições de manejo de solo, práticas agrícolas e desenvolvimento vegetal. Fornecerá serviço de rotina para aconselhamento de irrigação e avaliar prejuízos causados à agricultura do estado por fenômenos meteorológicos extremos. "Também serão emitidos alertas sobre ocorrência de geadas, entre 6 e 24 horas de antecedência", afirma. Dados da associação das indústrias de defensivos agrícolas indicam que, no estado são consumidos US$ 400 milhões por ano em produtos químicos. Ele cita dois exemplos de economia. "Caso a eficiência na previsão de chuvas for de apenas 20%, a economia somaria US$ 80 milhões por ano, porque os produtores deixariam de aplicar defensivos." "A economia na cana-de-açúcar pode somar R$ 42 milhões por ano", se apenas 30% dos produtores deixarem de pulverizar as lavouras com herbicidas e inseticidas, confiantes numa previsão meteorológica. Afinal, com as chuvas, os produtores rurais simplesmente perderiam todo produto aplicado nas lavouras. O novo projeto prevê ainda a instalação de três novos radares meteorológicos na região metropolitana de São Paulo e Bauru. Atualmente existem três radares em funcionamento no estado, que identificam o início da formação de nuvens, a direção e a velocidade dos ventos. "O agricultor responde muito bem às tecnologias eficientes. Nosso grande mérito será levar as informações meteorológicas a todos os produtores." A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da secretaria da agricultura, está instalando uma central de transmissão em Campinas que suprirá informações de todas as 40 regionais do estado (cada regional responde por 20 municípios) transferindo boletins agrícolas diários via telefone, radio-transmissão e através da internet para os produtores do estado. Para formatar o Sihesp foi criado um Programa de Suporte ao Desenvolvimento de Pesquisas e às Operações do Sistema Integrado de Hidrometeorologia, preparado pelo Conselho de Hidrometeorologia São Paulo, com 22 pesquisadores. Maiores geadas em 25 anos As recentes geadas ocorridas em São Paulo foram as mais fortes dos últimos 25 anos e atingiram principalmente áreas produtoras do Vale do Paranapanema, Vale do Ribeira. Baixo Tietê, capital paulista e a Alta Mogiana, prejudicando as lavouras de café, que responde por 35% da produção nacional e de R$ 2,8 bilhões do orçamento da produção agrícola em São Paulo, estimada em R$ 11 bilhões. Segundo o Centro de Ensino e Pesquisas em Agricultura (Cepagri), na região de Franca, por exemplo, onde está concentrada a produção de melhor qualidade, foram plantados cerca de 25 milhões de mudas nessa safra, "mas a quebra atingiu 80% dos 100 milhões de pés de café da região", diz Hilton Pinto, diretor do Cepagri. Nas regiões produtores de Assis, Avaré e São Carlos, que somam aproximadamente 20 milhões de pés de café, a quebra da safra oscila entre 70% e 90%. Nestas áreas foram plantados cerca de 5 milhões de pés de café neste ano. As áreas menos atingidas foram as regiões de Jales. Votuporanga e São José do Rio Preto, com cerca de 10 milhões de pés de café em produção e aproximadamente 3 milhões de novos pés. (L. F.)