Notícia

Jornal do Comércio (RS)

São Paulo terá mais chuva nos próximos anos

Publicado em 22 agosto 2017

As mudanças climáticas estão alterando o padrão de chuvas no Brasil, particularmente no Sudeste. É o que indica uma nova pesquisa que aponta um aumento médio tanto no volume de água quanto na média de dias em que chove no Estado de São Paulo.

O trabalho foi realizado com mais de 70 anos de dados meteorológicos. No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, a estimativa é de redução no volume médio da precipitação para os próximos anos, mas com concentração em menos dias e ocorrência de mais eventos extremos. Ou seja, deverá chover menos, mas com chuva mais intensa e tempestades mais frequentes.

As conclusões estão no artigo no International Journal of Climatology. “Um modo interessante de entender as mudanças climáticas é pensar em um clima com esteroides anabolizantes. Estamos vendo em todo o mundo o aumento da frequência de eventos extremos. O intuito de nossa pesquisa foi tentar entender como isso está ocorrendo no Sudeste brasileiro, a região mais populosa do País”, disse Leila Maria Vespoli de Carvalho, professora associada no Departamento de Geografia da University of California, em Santa Barbara, uma das autoras da pesquisa.

Outra pesquisadora envolvida no trabalho, Marcia Zilli, doutoranda no mesmo departamento, sob orientação de Leila, explica que a pesquisa partiu da reunião e análise dos dados meteorológicos da região Sudeste provenientes de duas fontes: a Divisão de Ciências Físicas do Earth System Research Laboratory, no Colorado, e as 36 estações meteorológicas individuais no Sudeste brasileiro operadas por diferentes agências brasileiras, com dados disponibilizados pela Agência Nacional de Águas.

“Embora a grande maioria dos dados obtidos esteja circunscrita a um período de mais de 70 anos, compreendido entre 1938 e 2012, várias estações meteorológicas possuem registros mais antigos, do período das décadas de 1910 e 1920. Participaram do estudo Brant Liebmann, da National Oceanic and Atmospheric Administration, e Maria Assunção Faus da Silva Dias, professora titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. Maria Assunção foi a orientadora de doutoramento de Leila Carvalho. O trabalho contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.