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São Paulo tem metade da ciência nacional

Publicado em 24 agosto 2011

Medidas recentes, como criação de universidades federais, ainda não têm resultado na distribuição da pesquisa no País. O estado de São Paulo também conta com cerca de R$ 9,5 bilhões anuais vindos de empresas privadas.

Apesar de iniciativas recentes do governo para disseminar a ciência pelo País, o estado de São Paulo ainda tem cerca de metade da produção científica nacional. Mesmo com a criação de universidades federais e de fundos para distribuição regional de recursos, a concentração paulista intensificou-se nos últimos anos.

Em 2002, a região tinha 49,9% da produção de ciência nacional. Agora, de acordo com o último levantamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), o número foi para 51%. Isso acontece porque a produção científica continua concentrada nas universidades públicas paulistas, especialmente USP, Unicamp, Unesp e Unifesp.

Dinheiro privado - Além de liderar a produção científica "acadêmica", ou seja, o desenvolvimento de artigos científicos - o que é feito principalmente com dinheiro do governo -, os paulistas estão contando com um importante ingrediente no bolo: o dinheiro privado. Hoje há mais recursos em São Paulo vindos de empresas do que de cofres públicos.

Do total gasto com ciência em São Paulo, 63% sai das empresas. A proporção praticamente se inverte nos demais Estados da nação. As empresas paulistas gastaram R$ 9,5 bilhões em pesquisa (em 2008). Em todo o restante do País, o gasto empresarial foi de R$ 6,5 bilhões. Já governo estadual e federal investiram, juntos, R$ 2,6 bilhões por ano com a pesquisa paulista no mesmo período. Esse número praticamente dobrou em dez anos. O dispêndio total das empresas com pesquisa no País aumentou cerca de quatro vezes em dez anos.

Mais indústria - Para o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, os gastos em pesquisa das empresas paulistas são mais altos porque São Paulo é mais industrializado. "A indústria é mais exposta à competição internacional", diz Cruz. Ele é um dos autores da publicação trienal da Fapesp "Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo", que foi lançada nesta semana.

Ciência paulista não é de país desenvolvido - Apesar de ter mais gastos em pesquisa e mais recursos humanos qualificados, a atividade científica paulista ainda está distante dos centros de pesquisa desenvolvidos. Em São Paulo, 16,4% dos jovens em idade universitária (18 a 24 anos) estão no ensino superior, incluindo a pós-graduação. No Brasil, o número cai para 12,7%.

Mas em países como os EUA, por exemplo, a taxa de matriculados no ensino superior em idade universitária gira em torno de 81%. "A intensidade de pesquisa e desenvolvimento paulista está mais próxima da realidade nacional do que da dos países desenvolvidos", diz o economista André Rauen, coautor da obra.

Já o diretor científico da Fapesp é otimista. Cruz acredita que a pesquisa em São Paulo deve se aproximar mais da feita nos centros mais competitivos do mundo. Para isso, diz Cruz, o governo federal precisaria aumentar seus investimentos. Hoje, 13% do que se gasta em pesquisa no estado de São Paulo vem do governo federal e 24% (quase o dobro) do governo estadual - que destina 1% seu do PIB (Produto Interno Bruto) à Fapesp.

(Folha de São Paulo)