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Ansa Latina

São Paulo Recebe XII Congresso Brasileiro de Italianística

Publicado em 14 dezembro 2007

São Paulo, 14 DEZ (ANSA) - Desde a última terça-feira até hoje (sexta-feira), a Universidade de São Paulo (USP) sedia o XII Congresso da Associação Brasileira de Professores de Italiano (ABPI).

O evento reúne docentes e pesquisadores de todo o Brasil, da Itália e de outros países europeus e americanos, com o principal objetivo de divulgar e integrar as pesquisas de italianística (estudo da língua e literatura italiana) desenvolvidas nas diversas instituições.

"O italiano do além-mar: cultura, identidade e integração entre duas margens" é a frase que se vê espalhada em cartazes pelos prédios da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), onde se concentram as atividades. É a quarta vez que a cidade recebe o congresso bienal da ABPI, fundada em 1980.

"Queríamos ter organizado o evento no Nordeste, mas como a intenção deste XII Congresso era promover a integração das pesquisas, São Paulo se mostrou o lugar mais adaptado. Aqui existe um centro universitário consistente, e com a possibilidade de agregar também a Unesp", explica Paola Baccin, vice-presidente da Comissão Organizadora.

As universidades paulistas concentram a maior produção acadêmica do Brasil e uma das mais altas da América Latina. E o congresso atende a todos: professores da língua e literatura italiana, tradutores, escritores, órgãos relacionados ao estudo e difusão da italianística e, inclusive, estudantes de graduação e pós-graduação, que também têm espaço para apresentar e debater seus projetos.

"Tenho alguns estagiários apresentando seus projetos nos painéis deste congresso. É importante para divulgar as pesquisas acadêmicas, sobretudo dos jovens", afirma Maria Celeste Tommasello, docente da Unesp de São José do Rio Preto.

Além dos painéis, as atividades do XII Congresso estão divididas entre mesas redondas, minicursos ministrados pelos próprios docentes (disponíveis somente para inscritos) e conferências com acadêmicos ilustres.

 Maria Celeste também destaca a importância do contato entre os docentes, "provenientes do Brasil inteiro", além da "troca de informações e métodos, solidificando o estudo e divulgação do italiano no país".

O Brasil é um dos países, junto com a Argentina, que mais recebeu imigrantes italianos em toda a América do Sul, principalmente entre os anos de 1850 e 1930 - quando o número de italianos que desembarcavam aqui chegou a aproximadamente 1,5 milhão. São Paulo concentrou 70% dessa imigração. Hoje, o Brasil tem cerca de 25 milhões de descendentes da Itália.

Chiara Vangelista, professora de história da América Latina da Universidade de Gênova e participante do congresso, explica que o "boom" da imigração italiana teve início a partir da unificação da Itália, em 1861.

Inicialmente, vinham do norte (onde o processo de industrialização causou as primeiras ondas de pobreza e desemprego). Mas, depois, desembarcavam no Brasil imigrantes de toda a península, sobretudo para trabalhar nas lavouras de café.

"São Paulo tem importância fundamental na relação Itália-Brasil. A maior parte dos imigrantes veio parar aqui e isso se nota já pelo sotaque da região. Em São Paulo, os italianos puderam desenvolver uma diversificação de atividades, algo difícil em outros lugares", conta a professora.

Chiara Vangelista também explica que a cultura italiana e sua identidade em parte se perderam, mas, por outro lado, foram recuperadas. Segundo a docente, "a cultura de agora não é aquela que chegou com a imigração, ela se transformou. Até 20 anos atrás, havia uma Itália aqui, que imaginava uma Itália na Europa, mas que não a conhecia, e vice-versa".

"Esse congresso sintetiza e mostra à comunidade da USP e da região todo o trabalho que se faz em relação à cultura italiana. E independente do percurso de cada um, das origens familiares de cada um, a cultura italiana não se fecha só aos descendentes. Qualquer um pode se interessar pela cultura da Itália, que, como todas as outras, mostra-se riquíssima", conclui.

O XII Congresso da Associação Brasileira de Professores de Italiano é apoiado e patrocinado pelo Instituto Italiano de Cultura (do governo da Itália), pela Fapesp e pela própria USP. O evento se encerra hoje com a conferência recital "A poesia é uma ilha e o poema é uma ponte", aberta a todos, e uma assembléia dos sócios da ABPI. (ANSA)