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Tribuna da Imprensa Livre online

São Paulo recebe a exposição Revolução Genômica

Publicado em 28 fevereiro 2008

Começa amanhã no Parque Ibirapuera uma exposição que merece bater recordes de público: `Revolução Genômica". São 2.000 m2 sobre biologia molecular, a ciência da hora. Com o selo de qualidade do Museu Americano de História Natural e alguma `cor local".

A versão americana da exposição foi vista por 800 mil pessoas. A brasileira, montada pelo Instituto Sangari, conta com mais de 500 mil só em São Paulo. A mostra de R$ 4,5 milhões deve ir depois para outras dez cidades brasileiras.

Aparece logo na entrada a cor local mencionada por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, co-patrocinadora da mostra): a biodiversidade brasileira. Plantas tropicais e vídeos de animais, até bichos vivos _sagüis, filhote de jacaré, tartarugas, tucano. Diversão garantida.

Não se trata só de cenografia para entreter e impressionar, mas de fixar a noção de que todo ser vivo tem DNA. A mesma matéria-prima para transmitir as características de cada espécie, entre milhões, de uma geração a outra. Não há melhor prova de que todos descendemos do mesmo ancestral, como ensinou Charles Darwin (1809-1882). Esse é o núcleo do `Grande Salão do DNA", primeira `célula" da mostra.

Depois vem `A Era do Genoma", a exposição americana propriamente dita. São muitas atrações, como várias pilhas de listas telefônicas em espiral para mostrar quantas `letras" químicas há em cada genoma humano (6 bilhões), de quatro tipos: adenina (A), timina (T), citosina (C) e guanina (G).

Por fim chega-se à terceira célula, `Genética de Alimentos", outro acréscimo brasileiro. Brito Cruz se disse `muito satisfeito" pela possibilidade de agregar esse conteúdo relacionado com desafios da ciência brasileira, como a aplicação da genômica na cultura da cana e da soja, ou a proteção de florestas e do ambiente.

Antitransgênicos

Parte da cor local, no entanto, não está visível. Dois especialistas indicados pela Fapesp, Hernan Chaimovich e Walter Colli, não ficaram satisfeitos com o texto original da exposição americana sobre organismos transgênicos, tido como muito crítico à biotecnologia.

Os dizeres, segundo a co-curadora Eliana Maria Beluzzo Dessen, terminaram modificados de modo a ficarem mais neutros. Como a mostra original fora montada em 2001, havia por exemplo uma menção considerada ultrapassada à morte de borboletas-monarcas após ingerirem pólen de milho geneticamente modificado.

DNA de esquerda

Há outros pequenos problemas, como a reiteração de metáforas também ultrapassadas do determinismo genético, como genes `controladores" e portadores de `instruções".

O painel `A Estrutura do DNA" diz que as imagens de Rosalind Franklin usadas por James Watson e Francis Crick para decifrar em 1953 a estrutura do DNA haviam sido obtidas no mesmo laboratório de Cambridge em que trabalhavam. Errado: Franklin atuava em Londres, no King's College.

Também equivocado é o lado (esquerdo) para o qual se torce a hélice da ilustração do DNA na página da mostra (www.revolucaogenomica.com.br).

São detalhes. Como disse Brito Cruz, o importante não é tanto o que a mostra ensina de conteúdo, mas que muitas pessoas saiam dela com `perguntas mais inteligentes do que tinham antes".

SERVIÇO - Até 13 de julho no Pavilhão Armando de Arruda Pereira (portão 10 do Ibirapuera). Terça a sexta das 9h às 19h; sábados, domingos e feriados das 10h às 19h.