Notícia

Cacb

São Paulo mostra por que tem a cena de startups mais relevante do país

Publicado em 25 dezembro 2018

A maior cidade do país tem motivos para ser o epicentro do ecossistema nacional de startups: das 6 mil startups do Brasil, 41% delas estão em São Paulo. A metrópole tem conseguido ligar elos importantes para o desenvolvimento da nova geração de empreendedores. Universidades de qualidade, iniciativa privada atuante, fomento estadual estável e a presença de investidores fazem da capital paulista um dos maiores hubs de startups no mundo.

Com tantos atores e oportunidades, um grupo de empresários, pesquisadores, investidores e acadêmicos de todo o país passou por uma imersão ao ecossistema paulistano durante os últimos três dias. A iniciativa, coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), discutiu instrumentos de fomento, experiências de sucesso no mercado e visitou algumas das principais incubadoras e aceleradoras da cidade, como Cubo Itaú, Cietec, Google Campus, Wayra, Eretz Albert Einstein, iDexo TOTVS e Estação Hack do Facebook.

“Temos o desafio de conectar as grandes indústrias às startups, de maneira a acelerar o nosso ecossistema de inovação. Para isso, precisamos aprender com as experiências estabelecidas e assim defender condições mais amigáveis para que essas empresas consigam se desenvolver e ganhar escala”, afirma Gianna Sagazio, diretora de Inovação da CNI.

Um dos mecanismos que se destacam no contexto paulistano é o programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fapesp. Em 20 anos, o Pipe desembolsou R$ 400 milhões para apoiar projetos de 1,2 mil micros, pequenas e médias empresas do estado de São Paulo. “Na teoria, não é um programa para startups, mas, na prática, é. Nos últimos anos, temos recebido, em média, 1 mil solicitações de financiamento e aprovamos 300”, explica Carlos Américo Pacheco, diretor presidente da instituição.

O Pipe aparece no discurso de dezenas de atores do ecossistema de startups da cidade. É fundamental para as cerca de 600 empresas nascentes que já passaram por mentoria do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), incubadora privada que opera no campus da Universidade de São Paulo (USP). Em 2017, as empresas de lá conquistaram 15% do total disponibilizado pela Fapesp.

EMPREGOS – A análise dos resultados somente das startups incubadas no Cietec dá uma ideia do potencial econômico e social das startups. As 112 empresas incubadas atualmente abriram 517 empregos e tiveram faturamento de R$ 36 milhões em 2017. “Olhamos com paixão para ideias criativas que possam se transformar em negócios de sucesso”, resume Cláudio Rodrigues, diretor-presidente do Cietec.

A Protect+ é uma das empresas residentes. O time está desenvolvendo respostas sustentáveis para a crise dos canudos. A empresa já está em testes finais de um canudo compostável e biodegradável feito a partir de celulose. De lá também saiu a alternativa de papel para o alumínio utilizado em cartelas de medicamentos, de forma a melhorar ao potencial de reciclagem da embalagem utilizada. O depósito da patente foi pedido ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2015 e aguarda análise. Por falar em patentes, em média, saem do Cietec de 4 a 5 pedidos de patentes por ano.

SÃO PAULO É POP – Grandes conglomerados de tecnologia e do mercado financeiro também apostam na diversidade e no volume de talentos de São Paulo para criar novas empresas de sucesso. O Cubo Itaú, por exemplo, abriga atualmente 86 startups diversas. Em pouco mais de 4 anos de operação, a instituição ajudou a mediar 728 contratos, no valor de R$ 230 milhões, entre startups e grandes empresas.

A experiência mostrou a Flávio Pripas, ex-head geral do Cubo e atual diretor da Red Point, uma das mantenedoras do Cubo, que não é apenas o contato entre pequenos e grandes que precisa melhorar. “As grandes empresas não estão preparadas para contratar startups que desenvolvem soluções para elas. Há série de exigências que as novas empresas não conseguem cumprir. Com o próprio Itaú, tivemos de promover uma mudança interna e simplificar padrões para que o banco conseguisse fechar negócio com startups do Cubo”, explica. Segundo ele, 65 startups já fecharam contratos com o Itaú desde o início do centro de inovação.

MINA DE OPORTUNIDADE – “Para o empreendedor, problema é oportunidade. Nesse sentido, o Brasil é o paraíso”, acredita Erick Archer, fundador do fundo de investimento Monashee, que tem no portfólio de startups investidas a 99 Taxis, a Yellow (app de mobilidade urbana) e a colombiana Rappi, delivery de comida que entrou no mercado brasileiro há pouco tempo. Nesse sentido, a Estação Hack do Facebook aposta na tecnologia para solucionar o que chama de “dores” modernas.

A organização tem como premissas para seleção de startups a capacidade de impacto social, a chance do negócio ganhar escala e o perfil do empreendedor – têm prioridade jovens, mulheres e pessoas de baixa renda.

Ao contrário de outras aceleradoras, a Estação Hack não cobra taxa das empresas. Na verdade, ela financia toda a operação – incluindo transporte e alimentação dos empresários – até o fim do ciclo.

Assim, negócios incríveis saem do papel. Como o Banco Digital Maré, voltado para pessoas de comunidades pobres, não bancarizadas, conseguirem pagar contas pelo celular. A Diáspora Black funciona como um Airbnb, mas para pessoas que querem se hospedar e conhecer melhor a cultura negra no Brasil. “A ideia nasceu de um jovem, negro, que não conseguia receber hóspedes no Airbnb porque era negro. Então ele pensou: se eu tenho dificuldade em receber, imagina os negros que querem se hospedar?”, conta Priscila Martins, gerente de relações Institucionais da Artemisia, aceleradora parceira da Estação Hack Facebook. Em dois anos, foram 20 startups de impacto social incubadas.

Fonte: Portal da Indústria – CNI