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CNI - Confederação Nacional da Indústria

São Paulo mostra por que tem a cena de startups mais relevante do país

Publicado em 10 dezembro 2018

A maior cidade do país tem motivos para ser o epicentro do ecossistema nacional de startups: das 6 mil startups do Brasil, 41% delas estão em São Paulo. A metrópole tem conseguido ligar elos importantes para o desenvolvimento da nova geração de empreendedores. Universidades de qualidade, iniciativa privada atuante, fomento estadual estável e a presença de investidores fazem da capital paulista um dos maiores hubs de startups no mundo.

Com tantos atores e oportunidades, um grupo de empresários, pesquisadores, investidores e acadêmicos de todo o país passou por uma imersão ao ecossistema paulistano durante os últimos três dias. A iniciativa, coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), discutiu instrumentos de fomento, experiências de sucesso no mercado e visitou algumas das principais incubadoras e aceleradoras da cidade, como Cubo Itaú, Cietec, Google Campus, Wayra, Eretz Albert Einstein, iDexo TOTVS e Estação Hack do Facebook.

“Temos o desafio de conectar as grandes indústrias às startups de maneira a acelerar o nosso ecossistema de inovação. Para isso, precisamos aprender com as experiências estabelecidas e assim defender condições mais amigáveis para que essas empresas consigam se desenvolver e ganhar escala”, afirma Gianna Sagazio, diretora de Inovação da CNI.

Um dos mecanismos que se destacam no contexto paulistano é o programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fapesp. Em 20 anos, o Pipe desembolsou R$ 400 milhões para apoiar projetos de 1,2 mil micros, pequenas e médias empresas do estado de São Paulo. “Na teoria, não é um programa para startups, mas, na prática, é. Nos últimos anos, temos recebido, em média, 1 mil solicitações de financiamento e aprovamos 300”, explica Carlos Américo Pacheco, diretor presidente da instituição.

O Pipe aparece no discurso de dezenas de atores do ecossistema de startups da cidade. É fundamental para as cerca de 600 empresas nascentes que já passaram por mentoria do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), incubadora privada que opera no campus da Universidade de São Paulo (USP). Em 2017, as empresas de lá conquistaram 15% do total disponibilizado pela Fapesp.

EMPREGOS – A análise dos resultados somente das startups incubadas no Cietec dá uma ideia do potencial econômico e social das startups. As 112 empresas incubadas atualmente abriram 517 empregos e tiveram faturamento de R$ 36 milhões em 2017. “Olhamos com paixão para ideias criativas que possam se transformar em negócios de sucesso”, resume Cláudio Rodrigues, diretor-presidente do Cietec.

A Protect+ é uma das empresas residentes. O time está desenvolvendo respostas sustentáveis para a crise dos canudos. A empresa já está em testes finais de um canudo compostável e biodegradável feito a partir de celulose. De lá também saiu a alternativa de papel para o alumínio utilizado em cartelas de medicamentos, de forma a melhorar ao potencial de reciclagem da embalagem utilizada. O depósito da patente foi pedido ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2015 e aguarda análise. Por falar em patentes, em média, saem do Cietec de 4 a 5 pedidos de patentes por ano.

SÃO PAULO É POP – Grandes conglomerados de tecnologia e do mercado financeiro também apostam na diversidade e no volume de talentos de São Paulo para criar novas empresas de sucesso. O Cubo Itaú, por exemplo, abriga atualmente 86 startups diversas. Em pouco mais de 4 anos de operação, a instituição ajudou a mediar 728 contratos, no valor de R$ 230 milhões, entre startups e grandes empresas.

A experiência mostrou a Flávio Pripas, ex-head geral do Cubo e atual diretor da Red Point, uma das mantenedoras do Cubo, que não é apenas o contato entre pequenos e grandes que precisa melhorar. “As grandes empresas não estão preparadas para contratar startups que desenvolvem soluções para elas. Há série de exigências que as novas empresas não conseguem cumprir. Com o próprio Itaú, tivemos de promover uma mudança interna e simplificar padrões para que o banco conseguisse fechar negócio com startups do Cubo”, explica. Segundo ele, 65 startups já fecharam contratos com o Itaú desde o início do centro de inovação.

MINA DE OPORTUNIDADE - “Para o empreendedor, problema é oportunidade. Nesse sentido, o Brasil é o paraíso”, acredita Erick Archer, fundador do fundo de investimento Monashee, que tem no portfólio de startups investidas a 99 Taxis, a Yellow (app de mobilidade urbana) e a colombiana Rappi, delivery de comida que entrou no mercado brasileiro há pouco tempo. Nesse sentido, a Estação Hack do Facebook aposta na tecnologia para solucionar o que chama de “dores” modernas. A organização tem como premissas para seleção de startups a capacidade de impacto social, a chance do negócio ganhar escala e o perfil do empreendedor – têm prioridade jovens, mulheres e pessoas de baixa renda.

Ao contrário de outras aceleradoras, a Estação Hack não cobra taxa das empresas. Na verdade, ela financia toda a operação – incluindo transporte e alimentação dos empresários – até o fim do ciclo.

Nessa, negócios incríveis saem do papel. Como o Banco Digital Maré, voltado para pessoas de comunidades pobres, não bancarizadas, conseguirem pagar contas pelo celular. A Diáspora Black funciona como um Airbnb, mas para pessoas que querem se hospedar e conhecer melhor a cultura negra no Brasil. “A ideia nasceu de um jovem, negro, que não conseguia receber hóspedes no Airbnb porque era negro. Então ele pensou: se eu tenho dificuldade em receber, imagina os negros que querem se hospedar?”, conta Priscila Martins, gerente de relações Institucionais da Artemisia, aceleradora parceira da Estação Hack Facebook. Em 2 anos, foram 20 startups de impacto social incubadas.