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A Cidade (Ribeirão Preto)

São Paulo incentiva o etanol

Publicado em 25 maio 2007

Dentro de um prazo de uma década o governo de São Paulo prevê que o estado seja responsável pela produção de 1% do combustível renovável no mundo. Para isso, a criação da Comissão paulista de Bioenergia, anunciada no mês passado pelo governador José Serra, será peça essencial para manter São Paulo no posto de principal produtor de etanol no Brasil.

A avaliação é do físico José Goldenberg, nomeado por Serra presidente da Comissão que terá como meta estudar fontes de energia limpa e renovável. "Os trabalhos dessa comissão têm por finalidade continuar como progresso tecnológico do programa paulista de incentivo ao etanol", explica.

E para justificar seu otimismo em relação ao futuro, o ex-secretário estadual de Meio Ambiente re corre ao passado. Ele lembra que os institutos e universidades pau listas pesquisam as vantagens do etanol em relação aos combustíveis fósseis há pelo menos 2 anos. Ele acrescenta que as condições geográficas do estado, elementos de natureza científica e tecnológica são fatores determinantes para sustentar São Paulo no topo da produção nacional.

"Com o programa paulista de incentivo ao etanol, o estado é responsável por dois terços da produção brasileira. Somos o maior produtor no mundo do etanol, isoladamente falando."

Segundo ele, três motivos reforçam a tese de que o etanol será o combustível do futuro: a exaustão das reservas e a dificuldade de acesso aos combustíveis fósseis, componentes políticos e econômicos—como a crise do gás entre Brasil e Bolívia e, por fim, questões de ordem ambiental. "Enfrentamos problemas no clima no mundo todo justamente pela queima dos fósseis"

Dados fornecidos por ele revelam que somente o estado de São Paulo deixa de emitir todos os anos, 8 milhões de toneladas de gás carbônico com o etanol. A mesma eficácia não é registrada nos Estados Unidos como um todo, cujo número cai para 1 milhão de tonelada/ano. Goldenberg frisa que para a produção paulista continuar crescendo, normas de sustentabilidade ambiental e social devem ser levadas em consideração. Caso contrário, poderão surgir barreiras de importação.

Bagaço da cana

O estado com a maior área planta da de cana-de-açúcar no Brasil também se prepara com o objetivo de dobrar a capacidade de produção de energia por meio do bagaço da cana-de-açúcar a médio prazo. Com 4,2 milhões de hectares plantados, os paulistas são responsáveis por 72,4% da produção nacional de etanol e líderes nas exportações brasileiras do setor com US$ 5,65 bilhões em vendas externas somente em 2006.

Desta vez, o feito será aumentar dos atuais 2 mil megawatts pro vindos do bagaço, para 4 mil megawatts num período de quatro anos. Com o montante, é possível, por exemplo, abastecer nove milhões de residências.

E passo inicial rumo a essa meta foi formalizado no dia 16 deste mês durante o primeiro encontro após a formação, em abril, da Comissão paulista de Bioenergia, na secretaria de Desenvolvimento. À mesa, secretários estaduais com a missão de orientar a produção de energia limpa e renovável no território paulista. Uma das atribuições da comissão é cuidar do planejamento de diversas atividades em solo paulista, como a do setor sucroalcooleiro.

"Foi um encontro muito produtivo porque discutimos diversos assuntos. E uma oportunidade para socializarmos as informações", avalia José Goldenberg, o presidente da Comissão, informando que já encontros marca dos para atualizar.

A meta é num prazo de seis meses apresentar ao governador José Serra o plano de ação das entidades da administração direta e indireta necessários ao desenvolvi mento da bioenergia. O documento deve nortear os rumos para garantir a produção, transporte, distribuição e uso de fontes renováveis de energia em todo o estado. "Com as dificuldades enfrentadas pelos projetos de grande porte para geração hidrelétrica, a co-geração com bagaço de cana pode dar uma grande contribuição para reduzir o risco de faltar energia a curto prazo", defende a secretária de Saneamento e Energia, Dilma Seli Pena. As dificuldades para seu avanço já estão sendo equacionadas", completa Duma, que fez uma exposição durante o encontro. O curioso é que, nos anos 70, as caldeiras queimavam bagaço com uma eficiência da ordem de 68%, com baixa pressão e baixo aproveitamento térmico.

Transporte

Além do bagaço da cana, outra pauta da reunião foi a possibilidade de uma parceria entre o governo estadual e a iniciativa privada para construção de um alcoolduto ligando Ribeirão Preto à capital. O projeto inicial foi apresentado pelo secretário dos transportes, Mauro Arce, e busca reduzir os custos do produto com o transporte. Ainda durante o encontro, o secretário do Meio Ambiente, Francisco Graziano, fez uma explanação sobre os investimentos do estado em pesquisas para melhorar os métodos de colheita e plantio da cana-de-açúcar. Graziano apresentou um cronograma com a previsão de mecanização da colheita pelo interior do estado nos próximos anos. "Somente com a pesquisa poderemos man ter a nossa área plantada e otimizar a quantidade da produção. A sugestão do governador é aumentara produção com o mesmo espaço", esclareceu José Goldenberg. O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, comentou que São Paulo tem projeto em parceria com a iniciativa privada de R$ 100 milhões para aplicar em pesquisas. "Estamos na iminência de ver a Fapesp lançar esse projeto em breve", avaliou Goldenberg.